A ex-modelo e bacharela em direito Marcella Ellen Paiva Martins, 31, que matou o noivo Jordan Lombardi dentro de um motel, sofria abusos sexuais e era mantida em cárcere privado pelo ex-marido, segundo afirmou o pai dela, o funcionário público Marcelo Martins de Araújo, 51. Por conta do trauma, ele acredita que a filha tenha matado o empresário em legítima defesa. O crime aconteceu no dia 9 de novembro no Distrito Federal.
“A Marcella é incapaz de fazer mal a alguém. Ela é um amor, uma filha linda, querida, carinhosa. Sempre foi muito inteligente, desde criança. […] Em 2013, ela tinha 22 anos e conheceu um rapaz da igreja evangélica que frequentávamos. Ele era filho do pastor, tocava bateria na banda. Nós acreditávamos que ela seria acolhida com muito carinho e respeito. Mas ele tinha envolvimento com drogas, a gente não sabia. E ela foi arrastada para esse mundo de sofrimento”, contou o pai em entrevista ao UOL.
Marcella e o ex-marido moraram no Cidade Oriental com os pais dela por um tempo e depois que se mudaram para Valparaíso, o casamento deles começou a ruir.
“Ela se afastou, parou de ligar para nós. Um dia soubemos pelo noticiário que ela estava sendo vítima de violência doméstica", disse.
Em 2016, Marcela virou notícia quando seu então marido foi preso por mantê-la em cárcere privado.
"Ela veio morar conosco um tempo, mas ele passou a persegui-la, difamando e ameaçando em todo lugar que ela ia. Então, ela ficou com medo de ele machucar a gente e foi embora, foi morar sozinha. Decidiu ir para São Paulo, onde tentou a carreira de modelo. Chegou a posar para uma revista, mas a carreira não deu certo. E ela já enfrentava um problema sério com drogas. Para se sustentar, tornou-se acompanhante de luxo".
Marcelo afirma que a sorte da filha mudou quando conheceu Jordan, pois parecia um conto de fadas. “Ele me chamava de 'papis' e a minha esposa de 'mamis'. Um homem gentil, educado, um verdadeiro cavalheiro. Depois de um tempo morando juntos, decidiram casar. Ele não pensou duas vezes. Saiu de São Paulo e veio até o Distrito Federal para pedir a mão dela em casamento. Assim, à moda antiga mesmo. Ele queria que ela esquecesse todo o sofrimento que passou", lembrou.
No dia do crime, Marcella contou ao pai que o noivo teria agredido ela fisicamente após consumirem por alguns dias uma quantidade grande de drogas.
"Eles estavam fora de si. Quando ele a agrediu, ela não raciocinou. Pegou a arma que ela diz ser dele, que ele tinha comprado para 'resolver uma questão pessoal' e atirou. Depois, ela só ficava repetindo: 'Eu matei o amor da minha vida. Eu matei o amor da minha vida'. Foi uma fatalidade, uma tristeza muito grande. Mas tudo indica que ela fez o que fez em legítima defesa", disse.
A morte do empresário repercutiu nacionalmente após Marcella ser presa por ter matado o noivo a tiros dentro do quarto de um motel e depois ter fugido nua apenas com a arma e bolsa nas mãos.





