Médica sobre colapso em Rondônia: ‘tem que esperar um óbito por uma vaga'

Por Portal do Holanda

06/03/2021 7h31 — em Brasil

Médica infectologista Lourdes Borzacov - Foto: Arquivo Pessoal

Depois do Amazonas colapsar em janeiro com uma explosão de casos de covid-19 e falta de oxigênio, outros estados do país agora sofrem com o mesmo problema. Dessa vez o colapso na saúde é em todo o Brasil, que está há uma semana tendo recordes de mortes pela doença.

Em Porto Velho, em Rondônia, falta leitos em enfermarias e na UTI. “Ultimamente é preciso esperar um óbito ou uma alta para poder ter vaga. Todo mundo está enfrentando isso”, disse a médica infectologista Lourdes Borzacov, que trabalha na linha de frente em entrevista ao Uol.

A médica relata que são 12 horas de plantão com a chegada de muitos pacientes e sem condições de dar assistência a todos. “É muito difícil de conduzir; há um desespero do paciente, da população, muito grande. A gente entende a angústia de quem está lá, esperando uma vaga, e a gente também se desespera por não ter como dar a qualidade necessária do atendimento. No final de um plantão de 12 horas, temos atendido 80, 100 pacientes. É muita gente”, disse.

Lourdes criticou ainda o tratamento alternativo para covid-19. Na terça-feira, recebeu um casal de idosos em estado grave pois adiaram a ida ao hospital para tentar um tratamento com ozonioterapia, sem eficácia contra covid. “Esses tratamentos alternativos não funcionam, e isso é muito grave. A pessoa acha que vai melhorar com isso, retarda a busca por um médico, por um hospital, e tem paciente que vai a óbito. Eu entendo que há um desespero muito grande. A pessoa pega covid e sabe que está tudo lotado, aí se pergunta: o que eu faço? E aí vem essa ideia, que é um problema, porque não vai resolver a gravidade da doença”, disse.

A infectologista disse não vê uma melhora da pandemia. “As pessoas ficam achando que a situação vai melhorar nesses dias, mas não vai, isso não vai melhorar agora. O vírus faz suas mutações para sobreviver, para se manter vivo, e aprendeu a ser mais transmissível”, disse ela.

Sobre a intubação em pacientes, Lourdes disse que tanto o paciente como os médicos sofrem. “A face deles, sabendo que precisa ser colocado na máscara de oxigênio, ou intubado, é só de medo. A gente sente uma dor no coração ao falar, sabe que pode acontecer o pior ali. Alguns entendem, outros desesperam. Acho que não existem palavras para definir, é uma tristeza profunda”, finalizou.


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