A maioria dos moradores do Complexo do Alemão, Complexo da Penha, da Maré e Rocinha é contra as operações policiais nas comunidades. A percepção sobre as incursões policiais nas favelas do Rio de Janeiro é majoritariamente negativa, e até mesmo os que apoiam dizem que há excessos e ilegalidades por parte da polícia.
É o que mostra a pesquisa "Por que moradores de favelas aprovam ou reprovam operações policiais com confronto armado?". De acordo com o levantamento, 73% dos moradores discordam das operações, enquanto 91% afirmam que há excessos e ilegalidades por parte da polícia.
A percepção de que a polícia comete excessos nas operações é compartilhada até mesmo por 85% daqueles que apoiam as operações.
O levantamento foi realizado por seis organizações com o apoio da Cátedra Patrícia Acioli da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), da Fundação Tide Setúbal, do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni) da UFF, do Instituto Fogo Cruzado, do Laboratório de Análise da Violência (UERJ) e da Open Society Foundations.
A rejeição ao modelo de operação policial atual também é ampla: 92% desaprovam a forma como essas ações são conduzidas, e 95% consideram que elas não contribuem para aumentar a segurança das famílias das favelas.
As entidades ouviram 4 mil moradores, entre os dias 13 e 31 de janeiro, nos quatro grandes conjuntos de favela do Rio - que, juntos, somam 21% dos moradores de favelas da cidade.
"A proposta do estudo é buscar entender o que está por trás das percepções dos moradores do Complexo do Alemão, Complexo da Penha, Conjunto de Favelas da Maré e Rocinha sobre as operações policiais, as motivações e influências de suas opiniões, as críticas, os desejos de mudança, os sentimentos e as sensações despertadas pela atuação das forças policiais onde vivem. Ao dar voz a quem é diretamente impactado, acessamos dimensões fundamentais da vida cotidiana do morador de favela em dias de operação policial", afirma a diretora fundadora da Redes da Maré, Eliana Sousa Silva, que coordenou o estudo.
De acordo com Eliana, o resultado da pesquisa mostra que "há um quadro de esgotamento da população por conta das operações violentas".
"As respostas mostram que há um quadro de esgotamento da população por conta das operações violentas, o reconhecimento dos excessos dos policiais e uma evidente falta de legitimidade dessa que se tornou, ao longo dos anos, a única política de segurança em favelas e também a única forma das polícias atuarem nesses territórios", diz.
Três em cada quatro moradores são contra
Três em cada quatro moradores se posicionam contrários às operações policiais realizadas em seus territórios. Apenas 25% manifestam algum nível de concordância. A discordância total com as operações (56%) supera toda a concordância somada de 25% (aqueles que concordam totalmente e mais concordam que discordam).
A pesquisa foi realizada pela Fala Roça (Rocinha), Frente Penha, Instituto Papo Reto (Alemão), Instituto Raízes em Movimento (Alemão), Redes da Maré e A Rocinha Resiste, organizações da sociedade civil com atuação nas favelas pesquisadas.
"Queremos que haja uma nova política de segurança pública que preserve a vida dos moradores de favelas sem que a presença de grupos armados seja a justificativa para lançar mão de uma única possibilidade de atuação da polícia, com confrontos com alto índice de risco e letalidade para a população. É também direito dos moradores desses territórios experienciar uma política de segurança pública que os respeite", diz Osvaldo Lopes, do Fala Roça.
Moradores são contra operações como a que deixou 122 mortos no Rio
A pesquisa mostra ainda que, quando perguntados se operações policiais como a que aconteceu no Complexo do Alemão e no Complexo da Penha, com 122 mortos, precisam acontecer outras vezes, 85% dos moradores dizem que não, 7% consideram que às vezes e 7% afirmam que sim.
O levantamento com os moradores das favelas alvos das operações policiais destoa da opinião pública geral. Uma pesquisa realizada pelo instituto Genial/Quaest revelou que 64% dos moradores do Rio aprovaram a megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha. Apenas 27% da população desaprovou a ação policial.




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