Após 11 anos de um processo judicial, uma mãe foi absolvida da acusação de tentativa de homicídio. Ela havia esfaqueado uma mulher que estuprou sua filha de apenas 3 anos, em um crime ocorrido em 2013, na cidade de Crateús, no Ceará. O julgamento ocorreu ao fim de novembro deste ano.
A mãe trabalhava como faxineira em uma casa. Sem ter com quem deixar sua filha de 3 anos, teve que levá-la para o trabalho.
Enquanto tomava banho, ela ouviu o choro da criança. Ao sair do banheiro, a encontrou ferida, com sinais de abuso sexual. A casa onde o crime ocorreu era frequentada por mulheres em situação de prostituição, que usavam drogas, e uma delas cometeu o abuso.
“A mãe, vendo a filha naquela situação, reagiu com duas facadas na agressora. Foi uma reação desesperada diante do sofrimento extremo da filha”, explica o defensor público Vagner Júnior, que atuou no caso.
A mãe foi acusada de tentativa de homicídio pelo Ministério Público do Ceará (MPCE). O processo se arrastou por anos e o julgamento ocorreu ao fim de novembro deste ano.
A decisão do júri popular reconheceu a legítima defesa da mãe, que agiu por instinto ao encontrar sua filha ferida e com sinais de violência sexual.
O longo processo judicial e o sofrimento da família foram levados em consideração pelo júri. A defesa destacou que a criança precisou de tratamento médico e da mãe, que enfrentou dificuldades financeiras e emocionais.
O Ministério Público havia pedido a desclassificação para lesão corporal grave, mas a Defensoria Pública sustentou a absolvição, considerando o contexto do crime.

