Manaus, AM – Em um evento marcante para a cooperação regional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou nesta quarta-feira (9) o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia), em Manaus. A nova unidade, já em operação desde junho, é uma resposta unificada dos países da bacia amazônica ao crime organizado transnacional.
Lula enfatizou que a solução para os desafios da região está na presença do Estado e na articulação conjunta, rejeitando veementemente qualquer intervenção estrangeira. "Não precisamos de intervenções estrangeiras, nem de ameaças à nossa soberania. Somos perfeitamente capazes de ser protagonistas das nossas próprias soluções", declarou o presidente, em um discurso que fez uma clara referência às ações de navios de guerra dos Estados Unidos na costa da Venezuela.
"Onde o Estado não está, o crime ocupa", afirmou Lula, destacando que a missão do CCPI é restituir "a força da lei" através de uma ação integrada. Ele ressaltou que o combate ao crime organizado, que financia atividades como o garimpo e o desmatamento ilegal, é crucial para a preservação ambiental.
Petro ecoa preocupação com soberania e alerta para interesse no petróleo
Ao lado de Lula, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reforçou a importância da união dos países amazônicos. Para ele, "salvar a floresta é salvar a humanidade", e a cooperação é a única forma de proteger a região. Petro expressou sua preocupação com a ameaça de invasão da Venezuela, ligando a presença de navios americanos a interesses na grande reserva de petróleo do país.
"O problema é o petróleo", disse Petro, alertando que a América Latina não pode ser "território para ser bombardeado por ninguém". Ele fez um paralelo histórico, comparando a ação de navios de guerra com os bombardeios nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, e criticou a postura de Israel, que torpedeia navios de comida, uma referência à situação em Gaza. O líder colombiano defendeu a união dos países para "falar de igual para igual com os Estados Unidos".
Centro de inteligência reforça combate a crimes ambientais e tráfico
Coordenado pelo Brasil, o CCPI funcionará como um núcleo de inteligência, reunindo nove países e os nove estados brasileiros que compõem a Amazônia Legal. O objetivo é fortalecer a luta contra crimes ambientais, tráfico de drogas, armas e pessoas. O centro terá o apoio de agências internacionais como a Interpol, Europol e Ameripol.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, destacou a necessidade de uma ação coordenada, já que as organizações criminosas operam globalmente. O secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, reforçou em um vídeo que a inauguração é um "marco histórico" para a proteção da Amazônia.
“Este centro envia ao mundo uma mensagem clara: o Brasil e os países da região estão comprometidos com a proteção da floresta e a segurança das comunidades que nela vivem”, concluiu Urquiza, enfatizando que a cooperação internacional é uma ação concreta e essencial para a segurança e a sustentabilidade da região.


