Em visita a Anápolis (GO) nesta quinta-feira (26) para a reinauguração do parque fabril da montadora Caoa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mesclou tons de descontração e preocupação econômica. Em seu discurso, o petista comentou sobre a mudança no perfil de consumo das famílias brasileiras e as medidas do governo para conter a alta dos combustíveis.
Lula arrancou risos da plateia ao relatar o aumento das despesas domésticas com animais de estimação. Ao dirigir-se a Zhu Huarong, representante de uma fabricante chinesa, o presidente brincou que, no Brasil, o cuidado com cães tornou-se uma prioridade financeira.
"Agora, os cachorrinhos têm que dormir com a gente. Tem que levar no dentista, dar banho semanal e levar ao veterinário. Tudo isso é um sequestro do nosso salário que a gente só nota no fim do mês", afirmou o presidente, relembrando também que, no passado, chegou a criar 11 filhotes de dálmata em uma casa pequena.
Lula disse ainda, que os chineses não devem ter "esse problema" de gastos com pets.
Mudando para um tom mais crítico, Lula questionou os reflexos econômicos de conflitos internacionais no cotidiano do brasileiro. Ele demonstrou indignação com o fato de hostilidades no Irã afetarem o preço do óleo diesel no Brasil, do qual o país ainda importa cerca de 30%.
Para frear o impacto nas bombas, o presidente destacou as ações do governo federal:
Zera de tributos: Manutenção de impostos federais zerados sobre o diesel.
Subsídios: Adoção de medidas para cobrir parte dos custos e evitar repasses ao consumidor.
O presidente também subiu o tom contra donos de postos de combustíveis que estariam subindo preços de forma injustificada. Segundo Lula, a Polícia Federal e os Procons foram acionados para fiscalizar estabelecimentos que aumentaram o valor da gasolina e do etanol — combustíveis que não possuem relação direta com a crise do diesel importado.
"Tem malandro aumentando o preço mesmo com o subsídio que estamos dando. Estamos trabalhando para minimizar o sofrimento das pessoas e punir quem tira proveito", concluiu o petista.


