O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), pediu publicamente desculpas ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), após dois dias de tumultos que paralisaram votações no plenário. Em discurso nesta quinta-feira (7), Cavalcante afirmou que não agiu corretamente nos bastidores e negou qualquer acordo com Motta sobre a votação de um projeto de anistia.
Durante sua fala, Sóstenes foi acompanhado por outros parlamentares que, dias antes, haviam ocupado a Mesa Diretora em protesto. Ele reconheceu que cometeu erros e pediu reconciliação. “Não fui correto no privado, mas faço questão de vir em público e te pedir perdão”, declarou. O parlamentar reforçou que a movimentação do PL ocorreu apenas entre líderes partidários, e não envolveu qualquer compromisso firmado com o presidente da Câmara.
Hugo Motta, por sua vez, manteve a postura firme e garantiu que serão tomadas medidas contra os deputados que participaram do motim. Segundo ele, as providências disciplinares serão anunciadas ainda hoje. Os parlamentares envolvidos na ocupação do plenário deixaram seus postos após intensas negociações internas, que contaram com a mediação de diversos partidos.
Cavalcante argumentou que a crise reflete um ambiente político contaminado pelas eleições de 2026. “Esta Casa entrou no clima de antecipar um processo eleitoral fomentado pelo governo atual”, afirmou. O deputado defendeu a pauta de projetos como o fim do foro privilegiado e a anistia, mas frisou que não houve chantagem ou tentativa de coação contra a presidência da Câmara. “Não é comportamento da direita chantagear ninguém”, declarou.
Por fim, o líder do PL criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal, sem citar nomes, ao sugerir que decisões judiciais estariam desmoralizando o Congresso. Ele encerrou seu pronunciamento pedindo “boa convivência” e equilíbrio emocional entre os deputados, como forma de fortalecer a atuação parlamentar perante a sociedade.


