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Lava-Jato: PF cumpre mandados contra Rodrigo Bethlem, o 'xerife do Rio'

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Lava-Jato: PF cumpre mandados contra Rodrigo Bethlem, o 'xerife do Rio'
Lava-Jato: PF cumpre mandados contra Rodrigo Bethlem, o 'xerife do Rio'
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RIO - Em nova etapa da operação "Ponto Final", agentes da Polícia Federal cumprem na manhã desta terça-feira mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário municipal de Governo Rodrigo Bethlem, em dois endereços na Barra da Tijuca, em sua residência e no escritório. A ação da força-tarefa tem como objetivo saber se houve acerto de vantagens ilícitas entre Bethlem e os empresários do setor de ônibus Lélis Teixeira e Jacob Barata Filho, presos em julho. Ele já foi intimado a depor ainda hoje.

Interceptação autorizada pelo juiz Marcelo Bretas identificou troca de emails, entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017, na qual levanta suspeitas de que o ex-secretário de Eduardo Paes tenha oferecido aos empresários a manutenção do suposto pagamento de propina em troca de vantagens na atual gestão do prefeito Marcelo Crivella.

Este é o segundo secretário de Paes que vira alvo da Lava-Jato no Rio, em duas semanas. O primeiro foi Alexandre Pinto (Secretaria de Obras), no dia 4 de agosto, preso na Operação Rio, 40 graus, suspeito de participar de um esquema de pagamento de propinas nas obras do BRT Transcarioca e na recuperação ambiental da Bacia de Jacarepaguá.

Agentes da Polícia Federal cumprem mandados de busca e apreensão na casa de Rodrigo Bethlem, em condomínio na Barra da Tijuca - Pedro Teixeira/O GLOBO

Acusado de desvios de recursos públicos no período em que foi titular da Assistência Social, entre novembro de 2010 e junho de 2012, Bethlem foi colaborador da campanha de Crivella na eleição de 2016. Questionado na época qual era a sua contribuição na disputa municipal, ele disse que participava com "ideias".

Bethlem esteve no primeiro pronunciamento de Crivella, com quem comemorou a vitória em segundo turno sobre Marcelo Freixo. Na ocasião, ele declarou que, apesar de não assumir um cargo, auxiliaria Crivella no que fosse necessário.

- Eu conheço muito a máquina. Tudo que ele precisar de mim de informação, de dicas, neste momento de transição, sobre o que pode ser enxugado, eu vou ajudá-lo. Mas não quero função executiva - disse à época.

Já Crivella, questionado por se aliar ao ex-secretário acusado de corrupção, saiu em defesa de Bethlem. "O Bethlem não tem nenhuma condenação transitada em julgado. Ele não me pediu absolutamente nada. Como tem experiência na prefeitura, quer ajudar. E nós precisamos da ajuda de todos", rebateu durante a campanha

Na gestão de Paes, Bethlem foi considerado seu homem de confiança e ocupou as pastas de Ordem Pública, na qual ganhou fama como “xerife do Rio”, e de Assistência Social até chegar à Secretaria de Governo.

A relação entre o prefeito e Bethlem estremeceu em julho de 2014, quando foram divulgados áudios pelas revistas "Época" e "Veja",em que o ex-secretário revelava que recebia propina de R$ 85 mil de ONGs que prestavam serviços à prefeitura.

'ÚTIL AO REI DO ÔNIBUS'

As gravações foram feitas pela ex-mulher de Bethlem, Vanessa Felippe, filha do ex-presidente da Câmara do Rio, Jorge Felippe (PMDB). Nas conversas entre o casal, registradas em novembro de 2011, ele dizia à ex-mulher que sua a principal fonte de renda vinha de um contrato da Assistência Social, por meio de um convênio para cadastrar famílias de baixa renda. Num dos trechos, ele ainda revelava que tinha conta na Suíça: “Você está careca de saber que fui à Suíça para abrir uma conta lá... Não seja hipócrita”, disse o ex-secretário.

Em um dos trechos da conversa gravada entre Bethlem e a empresária Vanessa Felippe, revelado pela revista "Época", aponta indícios de caixa dois na campanha de Bethlem pago por Jacob Barata, conhecido como “o rei do ônibus” do Rio. No diálogo, Bethlem admite que foi “muito útil” aos interesses de Jacob Barata quando esteve na Câmara Municipal. Bethlem foi vereador entre 2001 e 2004. "Eu fui muito útil pra esse cara na Câmara. Não foi pouco não, (foi) muito. Eu derrubei sessão, eu tirei projeto", disse Bethlem.

Após ser flagrado, Bethlem disse que foi à Suíça a passeio e negou ser o dono das contas, embora o Ministério Público tenha descoberto cinco delas movimentadas pelo ex-deputado, na condição de titular ou por intermédio de offshores em paraísos fiscais nas Ilhas Virgens Britânicas e no Panamá.

Em junho, Bethlem virou réu em duas ações do Ministério Público estadual para ressarcir a prefeitura seja ressarcida em R$ 88 milhões por desvios de recursos da Secretaria municipal de Desenvolvimento Social durante o governo do ex-prefeito Eduardo Paes. Entre os acusados dos desvios estão o ex-secretário Rodrigo Bethlem, dois proprietários da empresa Comercial Milano e os diretores de duas ONGs que mantinham contratos com a pasta que seriam superfaturados. O MP pede também que os acusados nas ações sejam condenados por improbidade administrativa.

A Milano é acusada de superfaturar lanches fornecidos para duas ONGs conveniadas com a Prefeitura do Rio. A empresa teria sido contratada com dispensa de licitação e, de acordo com a denúncia, o superfaturamento das refeições chegaria a 200%.

De acordo com a ação civil pública, a Milano entregava parte dos valores superfaturados para Bethlem, no valor de R$ 15 mil.

'CHOQUE DE ORDEM'

Bethlem começou na vida pública aos 22 anos, como subprefeito da Lagoa. Foi subsecretário estadual do Governo Sérgio Cabral e responsável pelas Operações “Bacana” (Copa, Ipa e Barra), pontapé inicial para a criação da Secretaria Especial da Ordem Pública do Município do Rio. Deputado federal licenciado, exerceu, de janeiro de 2009 a março de 2010, o cargo de Secretário Especial da Ordem Pública. Foi responsável pela implantação do Choque de Ordem, ações que combatiam a desordem urbana e faziam valer as posturas e leis municipais.

 

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