BRASÍLIA - Ex-presidente do PMDB e representante do MDB histórico, o deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) reagiu nesta terça-feira ao que chamou de "manobra ardilosa" do presidente nacional do partido, senador Romero Jucá (PMDB-RR), e do senador Fernando Bezerra Coelho (PE), que trocou o PSB pelo PMDB na semana passada. Jarbas disse que Fernando Bezerra estaria querendo tomar o comando do PMDB de Pernambuco, com o aval da direção nacional.
Ao falar das denúncias do Ministério Público Federal sobre o chamado "quadrilhão" do Senado e agora da Câmara, Jarbas disse que o partido tem que "tomar cuidado" com seus integrantes filiados. A expectativa é que amanhã, em reunião da Executiva Nacional, seja discutida uma proposta de intervenção no diretório de Pernambuco. O pano de fundo é a eleição de 2018: Fernando Bezerra é oposição ao atual governador, Paulo Câmara, cujo vice-governador é Raul Henry, presidente justamente do diretório regional do PMDB.
— Quero alertar para uma tentativa sórdida e desrespeitosa de calar a minha voz. A manobra ardilosa que pretende me atingir é maquinada pelo senador Fernando Bezerra Coelho, que diz estar seguindo orientação da presidência nacional do PMDB. Fernando Bezerra tem uma história marcada por adesismos. Voltou (ao PMDB ) para me apoiar quando venci a disputa de Pernambuco, foi para o PSB de Eduardo Campos e virou ministro de Dilma. Agora, seu filho é ministro de Temer — disse Jarbas, que foi aplaudido ao encerrar seu discurso no plenário da Câmara.
Jarbas se referiu ao ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, que deve se filiar também ao PMDB na janela partidária de março, antes das eleições de 2018. O movimento de Jucá para filiar o senador agora gerou atritos até com o DEM do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), que estava negociando com o grupo insatisfeito do PSB.
— Sou fundador do antigo MDB, grupo de homens públicos que sempre defendeu a democracia, a transparência, a responsabilidade fiscal e a prática republicana. Tenho mais de 50 anos de vida pública e não tenho absolutamente nada a esconder. Minha história confunde-se com a história do PMDB. Não com esse que negociam espaços com Fernando Bezerra Coelho — disparou Jarbas, acrescentando:
— O meu PMDB tem o DNA de homens como Ulysses Guimarães e Pedro Simon.
Jarbas disse ainda que Jucá tem uma luta inglória se quiser agora mudar o nome do PMDB para MDB neste momento. Perguntado sobre as denúncias envolvendo Geddel Vieira Lima, Jarbas disse que já tinha inimigos demais dentro da sigla, mas falou genericamente sobre as denúncias envolvendo senadores e deputados do PMDB.
— O PMDB tem que ter muito cuidado com seus integrantes, com os filiados. E será uma luta inglória para ele (Jucá) retomar o nome MDB — disse Jarbas.
Depois, o deputado disse que está suspenso pelo comando nacional depois de ter votado a favor da abertura de investigação contra o presidente Michel Temer. A Câmara rejeitou a denúncia contra Temer, e Jucá anunciou que haveria punição aos infiéis.
— A maioria dos que hoje pretendem me expulsar do PMDB apoiou os governos que hoje criticam. Foram cúmplices dos malfeitos. Eu mantive a coerência e paguei um preço político por isso, mas não me arrependo — disse ele.
Jarbas disse que não adiantam as ameaças que ele não deixará o PMDB e travará, ao lado de Raul Henry, uma disputa local. Para ele, o senador Fernando Bezerra trabalha pela "desagregação".
— Votei pela investigação (de Temer) porque ao longo da minha vida pública sempre defendi a apuração das denúncias. Mas, mesmo diante das divergências, nunca houve uma ação voltada para me expulsar ou punir. Em poucos dias, percebi que ele está trabalhando para intervir no PMDB de Pernambuco. AO meu gesto cordial de elogiar a ele e ao seu filho ministro, o senador respondeu com desrespeito e prepotência. O ato dele tem nome: traição. Mais uma vez, interessado num palanque para si e para seus filhos em 2018, Fernando Bezerra regressa ao PMDB dizendo seguir orientação da presidência nacional do partido — disse o deputado.
Jarbas disse que vai "resistir" e e recorrer a todas as instâncias partidárias e que o senador não vai "dominar" o PMDB de Pernambuco:
— Nós apoiamos o atual governador, e o senador é de oposição. As pessoas que chegam têm que se acomodar ao quadro.

