No mês passado, o castelinho recebeu o terceiro encontro do projeto Ghost Story Challenge (Desafio de Histórias Fantasmagóricas, em tradução livre), promovido pela Associação Brasileira dos Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror. Além das imersões, o projeto oferece workshops e talk shows sobre a literatura de mistério permeada por assombrações.
Os autores começaram a escrever às 22 horas e ficaram até as 8 horas do dia seguinte, em uma maratona que rendeu os 25 contos reunidos no livro O Lado Oculto do Castelo, que será lançado em 2 de julho, na Bienal do Livro de 2022, em São Paulo. O primeiro e o segundo encontros, em 2018 e 2019, também viraram obras literárias: Confinados e Numa Floresta Sombria.
Crime
O famoso castelinho localizado na esquina da Rua Apa com a Avenida São João, perto do Elevado Presidente João Goulart, tem fama de mal-assombrado pela história de crime que carrega. Em 12 de maio, completam-se 85 anos desde que uma mãe e seus dois filhos foram encontrados mortos, ao lado de uma arma, dentro do castelinho.
Na época, em 1937, não houve consenso sobre o responsável pelos assassinatos. A polícia acreditava ter sido um dos irmãos, já os médicos-legistas apontavam que seria o outro. Também despertava desconfiança a posição em que os corpos foram encontrados, lado a lado, e o fato de as balas retiradas do corpo da mãe não serem da mesma arma deixada no local do crime.
Para os escritores que passaram a noite no local, conhecer a história que ronda o passado do casarão ajudou a entrar no clima de suspense. "Eu não conhecia o castelinho e saber que lá aconteceu um crime influencia bastante na hora da escrita porque cria toda uma atmosfera", diz Jaques Rodrigo Valadares, um dos participantes do encontro.
Já a escritora Taís Ferreira revela que sua mãe contava a história do crime quando ela era criança. "Desde pequena, eu era ligada à literatura e ao sobrenatural. Era um sonho de criança conhecer o castelinho", afirma. "Cheguei a ver o casarão na época em que estava em ruínas, bem abandonado. Depois, vi sendo restaurado. Foi uma alegria muito grande participar desse evento, que juntou o terror, que eu adoro, com a possibilidade de viver essa experiência de conhecer o castelinho por dentro."
O projeto foi ideia de Cláudia Lemes, fundadora da associação e publisher da Rocket Editorial, que há cinco anos se inspirou no desafio original do poeta Lord Byron, no século 19.
"Esse encontro foi emblemático, porque dessa brincadeira nasceram a história de Frankenstein, escrita por Mary Shelley quando ela tinha apenas 18 anos, e O Vampiro, de John Polidori, que inspirou Drácula", explica a expert.
Ações assistenciais
Desde 1996, o Castelinho da Rua Apa foi concedido à organização não governamental (ONG) Clube de Mães do Brasil.
Maria Eulina Hilsenbeck, presidente da instituição, explica que o espaço atualmente é utilizado para promover a educação ambiental de crianças e para desenvolver projetos voltados à inclusão de pessoas em vulnerabilidade social. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

