Para Izac, ele foi vítima de retaliação. "Foi tudo muito estranho, não sei qual foi o motivo", disse em referência à demissão. Alguns dias antes de ter sido dispensado, ele relembrou que teve um desentendimento com a síndica do local. Na ocasião, ele foi convidado para uma reunião com outros três colegas. Segundo o supervisor, a síndica o acusou de ser "condizente com um funcionário que saia antes do horário previsto". Izac disse que naquele momento negou a veracidade da conduta do colega de trabalho, mencionada pela administradora. Como reação, ela o mandou sair da sala. "Mas até ali não estava imaginando o que ia acontecer".
Quatro dias depois, foi notificado pela administração do condomínio sobre a dispensa. "Simplesmente me jogaram na rua". Com a falta de transparência em relação ao episódio, o supervisor afirmou ter duas hipóteses para a causa da demissão: a represália após ter feito a denúncia sobre o caso de racismo ou uma possível perseguição do vereador acusado do crime.
"Não consigo pensar em outra coisa. Sempre fui correto, nunca tive advertência", argumentou. Agora, a rotina de Izac é cercada por dúvidas e pelo temor do futuro. "A minha vida aqui no Rio mudou". Antes da demissão, ele estava com o pedido de aposentadoria em andamento. Com a mudança repentina, relatou não ter mais planos. "Primeiro, sofri racismo. Agora mais uma situação de constragimento", lamentou.
Mesmo com a sequência de acontecimentos desagradáveis, ele reforça: "não quero ser visto como vítima". A Comissão de Trabalho da Alerj comunicou que irá oficiar o condomínio da Barra da Tijuca para dar explicações sobre o que motivou a demissão de Izac.
Caso de racismo
A situação aconteceu no dia 13 de janeiro. O vereador Renato Oliveira (MDB-SP) havia proferido ofensas racistas contra Izac Gomes. Sob aplausos, ele foi detido pela Polícia Militar Fluminense quando estava na piscina do condomínio Estrela Full. O parlamentar negou a acusação de injúria racial e justificou que "houve um desentendimento pela manhã na piscina do condomínio que causou alguma discussão da parte das pessoas que estavam comigo com outros moradores por causa de som". Além disso, responsabilizou a PM de "inventar um crime para que eu pudesse ser conduzido".
COM A PALAVRA, O CONDOMÍNIO ESTRELA FULL
A reportagem do Estadão entrou em contato com a advogada que representa o espaço, mas, até a publicação deste texto, a equipe não recebeu posicionamento oficial do condomínio. O espaço está aberto para manifestação.
COM A PALAVRA, O VEREADOR RENATO OLIVEIRA
A equipe entrou em contato com a assessoria do parlamentar por email, mas não houve retorno. O espaço está aberto para manifestação.

