SÃO PAULO - Agenor Medeiros, ex-diretor-presidente da área internacional da OAS, afirmou ao juiz Sergio Moro que a empreiteira tinha uma área que cuidava do pagamento de propina. Segundo Medeiros, o setor se chamava "contabilidade" e operacionalizava pagamentos a partidos políticos por ordem de Leo Pinheiro, ex-presidente da empresa.
Medeiros disse ainda que a OAS tinha um caixa único de propina para fazer pagamentos de propina ao PT. O ex-diretor disse que as vantagens indevidas tinham origem em contratos de diversas obras públicas que a empreiteira realizava no país.
— Existe uma área na empresa que é justamente a área que trabalha nessa parte de vantagens indevidas é uma área que chama controladoria, onde doações a partidos até de forma oficial — informou Medeiros.
— Essa área tinha um gerente de controladoria, o Mateus Coutinho, que se reportava ao diretor financeiro (Sergio Pinheiro) e este último ao presidente. Existia um grupo de pessoas que trabalhavam com ele (Coutinho). Essa área cuidava de pagamentos de fornecedores de campanha, gráficas e outras coisas mais, eventualmente mateus me prestava contas desses valores. O PT tinha um tratamento diferenciado porque eram maiores valores envolvidos.
Medeiros falou a Moro na ação penal em que o Ministério Público Federal (MPF) acusa Lula de receber o tríplex da construtora OAS. No final do mês passado, Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS, já havia admitido repasses de propina nas obras de Abreu e Lima.

