O III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), realizado pela Unifesp, revelou que o consumo de drogas ilícitas no Brasil cresceu de forma expressiva nos últimos anos. Em 2012, 10,3% da população havia experimentado alguma substância proibida; em 2023, esse número chegou a 18,8%, um aumento de 82%.
A maconha aparece como principal responsável por essa expansão, considerada pelos pesquisadores a porta de entrada para os jovens no mundo das drogas. O uso da substância cresceu em todas as faixas etárias, mas é mais intenso entre adolescentes e jovens adultos, especialmente na faixa de 18 a 24 anos.
O levantamento mostra também que o consumo de cocaína e crack se manteve estável: 5,38% da população já experimentou cocaína e 1,39% já usou crack, índices semelhantes aos registrados em 2012. O álcool continua sendo a droga mais consumida, com acesso facilitado inclusive por menores de idade, evidenciando falhas na fiscalização.
Outro dado relevante é o aumento da participação feminina no consumo de drogas. Se antes os homens apareciam em maior proporção, hoje a diferença diminuiu, indicando maior vulnerabilidade das mulheres. O estudo alerta para os impactos sociais e de saúde pública, como internações, problemas de saúde mental e relação direta com violência urbana.
Os pesquisadores defendem medidas urgentes de prevenção, fiscalização rigorosa da venda de bebidas alcoólicas e ampliação de programas de tratamento e acolhimento. Para eles, o Lenad III confirma que o Brasil vive um cenário de crescimento preocupante no consumo de drogas, puxado pela maconha, com maior participação feminina e vulnerabilidade juvenil, exigindo políticas públicas integradas entre saúde, educação e segurança.

