Manaus/AM - Embora sejam raros casos de intoxicação por baterias no Amazonas, com o registro de 7 casos entre os anos de 2013 a 2019, no resto do país está havendo um aumento desse tipo de acidente, especialmente com as de formato de botão, mais comuns nos dias de hoje.
Um relatório publicado pela revista Pediatrics mostrou que os envenenamentos por bateria foram duas vezes maiores de 2010 a 2019 em comparação com 1990 a 2009, gerando uma média de uma visita de emergência relacionada à bateria a cada 1,25 hora entre crianças menores de 18 anos.
Em Manaus, em 2013, houve 1 caso, 2014, 2 casos, 2015, 2 casos, 2016, 1 caso e 2019, 1 caso.
De acordo com o relatório, as crianças menores de 5 anos são as de maior risco, principalmente as com idade entre 1 e 2 anos, que costumam colocar tudo que chega às mãos na boca.
Os riscos de uma ingestão desse tipo são muitos, de acordo com os médicos, pois quando uma bateria fica presa na garganta de uma criança, a saliva pode interagir com a corrente do dispositivo, o que pode causar uma reação química e queimar gravemente o esôfago em menos de duas horas, criando uma perfuração esofágica, paralisia das cordas vocais ou até mesmo erosão nas vias aéreas (traqueia) ou vasos sanguíneos principais.
Em um caso registrado nos Estados Unidos, a bateria engolida por uma criança abriu e queimou um buraco através do esôfago da traqueia (vias aéreas), permitindo que a bile do estômago refluísse para os pulmões.
Como as baterias de botão estão em todas as casas atualmente, incluindo alguns lugares que nem se imagina, como enfeites animados ou piscantes, luzes de leitura, cartões musicais, calculadoras, termômetros digitais, velas sem chama, joias piscantes, jogos e brinquedos portáteis, aparelhos auditivos, ponteiros laser, bolas de luz, lanternas, mini controles remotos, entre outros, todo cuidado é pouco, afirmam os especialistas.
Há registros em prontos-socorros do país de ingestão de bateria, colocação de baterias no nariz, nos ouvidos e na boca. Médicos advertem que, mesmo não sendo tão grave quanto a ingestão, as baterias de lítio presas em um ouvido ou nariz podem causar lesões significativas, como perfuração do septo nasal ou do tímpano, perda auditiva ou paralisia do nervo facial, de acordo com o relatório.
A prevenção é fundamental e uma recomendação aos adultos e não inserir ou trocar as pilhas na frente de crianças pequenas, assim como descartar em local seguro as baterias vencidas, mantendo-as fora do alcance das crianças.
Crianças usando um brinquedo ou dispositivo que contenha uma bateria de botão deve ser monitorada e as crianças mais velhas devem ser educadas sobre os perigos para que possam ajudar.
Em caso de suspeitar que seu filho engoliu uma bateria – ou colocou uma no nariz ou no ouvido, não dê nada à criança para comer ou beber até que um raio-x mostre que a bateria ultrapassou o esôfago.
Em Manaus, o Centro de Informações Toxicológicas do Amazonas do Hospital Universitário Getúlio Vargas (CIT-HUGV) funciona 24h por dia, todos os dias (incluindo fins de semana e feriados), atendendo casos de intoxicação por medicamentos, produtos químicos, plantas e animais peçonhentos.
O cidadão pode ligar para tirar dúvidas relacionadas a medicamentos, pessoas com quadros de intoxicação ou se tem alguém próximo com quadro de intoxicação receberá as orientações por meio do telefone 080 722 6001, de uma equipe farmacêuticos do HUGV treinados para atuar nesses casos. A ligação é gratuita pode também ser feita a partir de celular.




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