Em depoimento, de acordo com a polícia, o estudante afirmou que, na tarde de 25 de julho, foi levado por quatro homens que estavam num Renault Sandero quando passava a pé pela Rua Afonso Pena, na Tijuca, zona norte. Na ocasião, Graça disse que ficou 40 minutos em poder do grupo e narrou, ainda segundo a polícia, que os homens gritavam: "Você é o Rodrigo, né? Manifestante e militante do Psol, você tem de acabar com esse negócio de ir a manifestações, você e toda a sua corja. Você vai servir de exemplo para esses caras que estão aí". Na delegacia, o estudante disse que foi libertado na Rua Frei Caneca, no centro.
Graça também esteve na delegacia em 24 de julho, conforme a polícia, para denunciar um crime de ameaça, uma vez que, segundo ele, no dia anterior havia recebido ligações ameaçadoras no telefone de casa e no celular, de um homem que ordenava que parasse de participar dos protestos. "Para iniciar as investigações, o delegado recolheu câmeras de segurança dos locais exatos onde Rodrigo disse ter sido sequestrado e depois liberado. Em nenhuma das imagens, no entanto, aparece Rodrigo ou a suposta ação do grupo", anunciou a polícia, por meio de nota divulgada nesta terça-feira, 8. Barucke declarou ter pedido à Justiça a quebra de sigilo telefônico para obter os registros das chamadas de ameaças. "Porém, em depoimento, o estudante reconheceu como de amigos e parentes todos os números que aparecem na conta", disse a polícia.

