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Em CPI, advogado diz que minoritários temem falência da JBS com família Batista no controle

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BRASÍLIA - O presidente da Associação de Acionistas Minoritários, Márcio Lobo, afirmou em depoimento na CPI da JBS nesta terça-feira que há um temor de que a manutenção da família Batista no comando do grupo possa levar à falência da empresa. Ele confirmou que acionistas minoritários já acionaram a arbitragem para tentar negociar uma indenização pelos prejuízos. Lobo presta o primeiro depoimento à comissão. Os parlamentares ouvirão ainda hoje o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho.

Lobo fez uma exposição afirmando que os minoritários têm sido lesado pela atuação da família que controla a empresa. José Batista Sobrinho assumiu o comando do grupo após a prisão dos filhos Wesley e Joesley Batista. Para o presidente da associação, há temor no mercado de uma falência da empresa caso não ocorra uma alteração no comando.

— A situação da companhia é grave e a informação dos analistas de mercado é que se não for revertida essa situação (do controle pela família Batista) a companhia pode até falir — afirmou Lobo.

Ele disse que “tudo indica” o uso de informações privilegiadas pelos irmãos Batista em relação à delação premiada para negociar no mercado.

— É muita certeza da impunidade. É incrível a coragem que esses irmãos têm — afirmou.

Lobo afirma que a empresa perdeu cerca de 50% de seu valor do mercado desde a delação e que a valorização das ações ocorridas nos últimos dez anos já foi praticamente todo perdido. Ele disse não poder dar detalhes sobre a ação de arbitragem pedida pelos minoritários, mas destacou que pode ser impetrada ainda uma ação civil pública para que eles sejam ressarcidos por prejuízos decorrentes de cerca de R$ 600 milhões destinados a políticos por meio de doações oficiais e caixa dois.

O presidente da associação fez ainda críticas à Comissão de Valores Mobiliários. Ele afirmou que o órgão falhou em não ter verificado a atuação da empresa antes e criticou a decisão do conselho que permitiu aos Batista manter o direito de voto em assembleias de acionistas mesmo após a delação. Lobo esclareceu que a associação não trata apenas dos minoritários da JBS, mas de quem tem ações de todas as companhias de capital aberto.

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