O ex-presidente da Câmara dos deputados, Eduardo Cunha, é alvo na manhã de hoje (3) de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que cumpre 20 mandados de busca e apreensão contra suspeitos de integrarem uma organização criminosa que comandava um esquema de propina que ocorria dentro do segmento de aviação no Brasil entre os anos de 2012 e 2014.
A ação envolve duas gigantes do setor, a Gol e a TAM, que são acusadas de pagar propina para obter redução de impostos de combustíveis de aviação no Distrito Federal. A acusação teria partido do próprio operador do esquema, Lúcio Bolonha Funaro, em acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.
Ele conta que o esquema funcionava com a atuação de doleiros e envolvia também a empresa C3 Atividades de Internet, que era liderada pela esposa de Cunha, Cláudia Cordeiro Cruz. Entre as informações repassadas, Funaro cita que o empresário da Gol Henrique Constantin
também era uma das partes e que pagava propina para que Cunha interviesse na liberação de empréstimos junto à Caixa Econômica e a desoneração da folha de pagamento dos empregados do setor aéreo e rodoviário.
A Gol e a Latam afirmam por meio de nota que não foram informadas de nenhuma investigação até o momento, mas estão dispostas a colaborar com as autoridades.
A Operação Antonov, que faz referência ao maior avião cargueiro do mundo, acontece simultaneamente em quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Goiás, no Distrito Federal. A casa de Cunha, na Barra da Tijuca, no Rio, é um dos locais que recebe a equipe do Gaeco e do MPF, assim como a casa de empresários.

