SÃO PAULO. O prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) defendeu neste domingo a nova operação policial realizada na Cracolândia, na região central de São Paulo e disse esperar a redução do fluxo de usuários no local.
Neste domingo, usuários foram isolados pela polícia em um quarteirão ao lado da Praça Princesa Isabel, até que fossem recolhidos pertences e barracas que estavam no local. Depois de passar por revista no início da tarde e serem proibidos de reconstruir barracas na praça, boa parte regressou à praça.
Mais cedo, ao ser perguntado sobre o risco de uma nova cracolândia se estabelecer em novo endereço, depois da ação na Praça Princesa Isabel, Doria disse crer que “o fluxo vai diminuir”.
— O endereço correto é o atendimento médico e o atendimento humanitário para aqueles que são usuários. (...) Nossa intenção é que não haja novos endereços. Por isso a ação será contínua — afirmou.
Ele e o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foram à região após o fim da operação deste domingo, que levou centenas de policiais ao Centro de São Paulo.
— A dependência química é uma doença crônica, recidivante, não resolve em 24 horas. Cada um que a gente consegue tirar da rua, oferecer a ele tratamento, interná-lo, ir para uma comunidade terapêutica, é uma grande vitória — disse Alckmin, que reconheceu não ser possível acreditar que o problema “vá se resolver da noite para o dia”.
Doria destacou que a prefeitura pretende realizar atendimento diferenciado para pessoas em situação de rua, que também precisam ser acolhidas e foram alvo da ao.
— Não há recuo, vamos continuar avançando e perseverando em ação contínua, medicinal, social, urbanística e policial — afirmou o prefeito, que voltou a dizer que apesar das dificuldades do combate ao uso de crack, entende não existir mais na região o “shopping center a céu aberto”.
A Cracolândia foi alvo de uma nova operação policial na manhã deste domingo no centro de São Paulo. Desta vez, agentes da Força Tática e da Tropa de Choque da Polícia Militar, e da Guarda Civil Metropolitana entraram por volta das 6h na Praça Princesa Isabel, que reunia a maioria dos usuários de drogas. A praça havia sido ocupada por usuários de crack após a primeira operação realizada na Cracolândia, no mês passado.
Vários quarteirões no entorno da praça foram isolados pela Polícia Militar. Alguns usuários atearam fogo em barracas, causando incêndio que podia ser visto a mais de um quilômetro de distância. Bombeiros foram ao local e debelaram o fogo no meio da manhã.
Não houve feridos, mas a maioria dos barracos foi destruída. Quase duas centenas de funcionários da prefeitura limparam a área e recolheram os pertences dos usuários — como colchões, cobertores e itens pessoais. Pelo menos 24 caminhões foram usados para levar o material.
A concentração de usuários na Praça Princesa Isabel começou no dia 21 de maio, quando foi feita a primeira grande ação policial na Cracolândia para a prisão de traficantes e apreensão de armas. Até então, a maior concentração era no cruzamento da Alameda Dino Bueno ou da Rua Helvétia.

