A decisão do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, de prestar depoimento à Polícia federal numa instalação do Exército nessa quinta-feira (4) causou incômodo entre generais da ativa e da reserva. Pazuello, que mora no Hotel de Trânsito em Brasília, foi ouvido em inquérito da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a responsabilidade do ministério no colapso do sistema de saúde em Manaus.
“Apesar dele ser um general, ele está sendo investigado como ministro da Saúde. Portanto, deveria receber a PF no seu gabinete na Saúde. Jamais numa instalação do Exército. Já é muito negativo ele ser investigado. Porém, contaminar fisicamente a imagem do Exército com essa investigação é ainda pior”, disse um general da reserva ao Grupo Globo.
O relator do inquérito, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que Pazuello escolhesse a data e o local do depoimento. O ministro resiste à pressão das Forças Armadas para que entre nos quadros da reserva, de modo a evitar a associação das atividades do Ministério da Saúde com a Força.
A PGR afirmou, no pedido de inquérito, que o ministro demorou a tomar decisões sobre o problema da falta de oxigênio nos hospitais em Manaus, mesmo depois de ter sido alertado.

