BRASÍLIA - O Conselho de Ética do Senado arquivou nesta terça-feira, por 12 votos a 2, com uma abstenção, a denúncia movida contra as senadoras que ocuparam a Mesa Diretora do Senado durante a votação da reforma trabalhista. O pedido do senador José Medeiros (PSD-MT) tinha como alvo as senadoras Fátima Bezerra (PT-RN), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), Regina Sousa (PT-PI), Lídice da Mata (PSB-BA) e Ângela Portela (PDT-RR).
A sessão foi marcada, no entanto, pelo protesto do líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ). Gritando que a reunião era "ridícula", o líder do PT começou uma confusão durante sessão do Conselho para impedir o sorteio de relator para denúncia contra as senadoras.
— Essa reunião aqui é ridícula, você vai me colocar e mais dez no conselho assim. Esse conselho arquivou o caso do Aécio Neves. Isso é um absurdo o que vocês estão fazendo — disse Lindbergh.
O líder do PT no Senado bradou reiteradas vezes que a comissão precisava parar com “essa palhaçada”, levando a um bate-boca com o presidente do conselho, o senador João Alberto Souza (PMDB-MA), que pediu respeito ao colega.
— Você está louco, seu presidente. Você arquivou o processo do Aécio. Quinhentos mil reais em uma mala, gravada pela Polícia Federal. Esse conselho não se respeita. Eu não aceito a sua condução porque você arquivou o caso do Aécio. Isso aqui é um festival de bobagem. Me coloque no Conselho de Ética! — berrou o petista.
O senador foi aplaudido por uma cidadã que acompanhava a sessão. Revoltado com a situação, o presidente do conselho pediu aos técnicos que o microfone de Lindbergh fosse desligado e a visitante fosse retirada pela equipe de segurança. O petista se levantou e começou a discutir cara a cara com o presidente da comissão, que afirmou que não o deixaria impedir o andamento da reunião.
— Toda vez você quer fazer baderna com essa situação — criticou o senador Sérgio Petecão (PSD-AC).
Lindbergh então bateu-boca com Sérgio Petecão (PSD-AC) e Gladson Cameli (PP-AC). Vários senadores discutiram entre si trocando críticas, ofensas e ameaças, quase chegando a violência física. Após a confusão, a sessão foi suspensa por dez minutos. Após retomada, os parlamentares fizeram críticas ao comportamento de Lindbergh.
— Temos duas maneiras de fazer as coisas: política ou porrada. Hoje quase tivemos porrada. Com todo o respeito, mas o Lindbergh nem deste plenário faz parte, estamos aqui para discutir o comportamento das senadores que fazem — disse Roberto Rocha (PSB-MA).
— Vim pra cá (para a Mesa) com medo do nosso colega (João Alberto Souza) ser agredido, de verdade. Ele não merece passar por esse tipo de situação. Ninguém aqui quer punir mulher. As senadoras foram usadas naquele dia. Temos que resolver as coisas, mas na conversa. Aqui é um parlamento, de parlar, conversar. Se fosse pra resolver na porrada era um “porramento” - disse Sérgio Petecão (PSD-AC)
*Estagiária, sob supervisão de Paulo Celso Pereira

