A rápida disseminação da variante delta, seus riscos e impactos, somados ao relaxamento de medidas de prevenção à covid-19 e à necessidade de uma terceira dose de vacina, diante da inexistência do controle da transmissão comunitária no país, reúnem-se num rol de questões debatidas nesta sexta-feira (20) pela Comissão Temporária da Covid-19.
Especialistas e senadores convergiram que a situação momentânea é de muita preocupação e que é cada vez mais imprescindível a rápida expansão da vacinação em todo o país — que apesar de não impedir o contágio pelo coronavírus, ainda fornece a melhor resposta contra casos graves e óbitos — atualmente com 25% da população imunizada após segunda dose.
Delta
O Diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Alex Machado Campos afirmou que a disseminação da delta é uma preocupação do órgão, que utiliza os dados epidemiológicos para sua atuação.
Na última quarta-feira, a Agência sinalizou, por meio de ofício, a recomendação ao Ministério da Saúde para a revacinação prioritária da população idosa e imunocomprometida.
— A retomada de atividades em massa nos traz preocupação, porque podem ser bolsões de disseminação da variante. O relaxamento de medidas essenciais, como o uso de máscara já está acontece em movimentos, como em aeroportos. Temos casos de pessoas que não estão usando as máscaras dentro das aeronaves e nos desembarques.
Ações combinadas
O infectologista e professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Guilherme Loureiro Werneck explicou que quanto maiores os níveis de transmissão numa comunidade, maiores serão as chances de haver surgimento de novas variantes.
— Apesar do avanço, no Brasil ainda não há o controle da transmissão comunitária, o que faz com que qualquer variante se dissipe rapidamente. Estados Unidos, Israel e Reino Unido, onde a cobertura vacinal é de 50%, a variante delta levou a um aumento das hospitalizações com covid e aqui estamos em 25% apenas de imunizados.
A queda do número de hospitalizações e óbitos estacionou e pode voltar a crescer, segundo o professor, para quem o país pode estar numa situação de piora no quadro epidemiológico, diante do registro de aumento de internações em algumas localidades.
Ações combinadas são imprescindíveis para conter o avanço, disse Werneck, entre elas a suspenção no processo de relaxamento das medidas preventivas populacionais, aumentar a adesão às medidas individuais de proteção, como uso de máscaras de boa qualidade, vacinação em massa e comunicação governamental.

