*Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, réu por feminicídio contra a soldado Gisele Alves Santana, de 32, será julgado pela Justiça Comum, na 5ª Vara do Júri de São Paulo.
Por ser militar e acusado de cometer um crime contra outra integrante da corporação, havia a possibilidade de o caso ser analisado pela Justiça Militar. O STJ, no entanto, esclareceu que isso não se aplica, uma vez que o crime não ocorreu em contexto relacionado ao exercício da função militar.
"Ao definir a competência, o relator aplicou o entendimento recente da Terceira Seção do STJ, segundo o qual crimes dolosos contra a vida praticados por militares só se submetem à Justiça Militar quando houver vínculo direto com a atividade castrense e com a tutela da hierarquia e da disciplina", informou o tribunal em nota.
"Ausente esse nexo funcional, prevalece a competência do Tribunal do Júri", acrescentou o órgão. Conforme a Constituição Federal, crimes dolosos contra a vida devem ser julgados pelo Tribunal do Júri.
O advogado de Geraldo Neto, Eugênio Carlos Balliano Malavasi, afirmou que a decisão do STJ de encaminhar o caso à Justiça Comum reforça o entendimento sustentado pela defesa desde a "primeira manifestação".
"O STJ corroborou o postulado defensivo levado a efeito na audiência de custódia realizada na Justiça Militar", declarou a defesa do réu em nota enviada à reportagem.
Miguel Silva, advogado da família de Gisele, também confirmou que a Justiça Comum foi considerada competente para processar e julgar o tenente-coronel. "Sempre deixamos claro que não se tratava de um crime de natureza militar", afirmou.
Geraldo Neto é apontado como principal suspeito de matar a soldado da PM Gisele Alves Santana com um tiro na cabeça, dentro do apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo. O caso aconteceu em 18 de fevereiro.
O oficial foi preso um mês depois, em 18 de março, em São José dos Campos, por determinação da Justiça Militar, após investigação conduzida pela Corregedoria da PM. Geraldo Neto também foi indiciado pela Polícia Civil por feminicídio e fraude processual. Atualmente, o réu está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital.
O tenente-coronel sempre negou o crime e sustenta que Gisele teria cometido suicídio após receber a notícia de que o marido queria a separação. A versão é contestada pelos investigadores.



