Emily Alves, uma blogueira mirim de 14 anos, morreu nesse sábado (3), com suspeita de meningite. Ela estava internada em um hospital de Praia Grande, em São Paulo, com uma mancha no cérebro e outra no pulmão que os médicos não conseguiram descobrir a causa.
A adolescente estava internada desde a sexta-feira (2), e aguardava um leito de UTI que nunca foi liberado. A família decidiu levar a filha para o hospital após ela apresentar fortes dores de cabeça e febre por mais de uma semana em casa e ser tratada em casa, mas sem sucesso.
Nesse período ela chegou a ser examinada e medicada por um médico da cidade de Monguaguá, mas ele apenas receitou alguns remédios e a mandou para casa. Dias depois Emily piorou e precisou procurar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Quietude acabou ficando internada, o quadro dela já era considerado grave até então.
A princípio a equipe acreditava se tratar de um quadro de dengue, mas após o descobrimento das manchas, foi levantada a hipótese de meningite bacteriana. Porém, Emily morreu à espera do leito e nenhum dos laudos foi confirmado.
Os pais relatam que a menina precisava do leito porque piorava a cada hora, mas a unidade estava lotada e os médicos sequer conseguiam descobrir a origem do problema.
Emily faria 15 anos no fim do mês, era uma menina alegre, estudiosa, que mantinha um canal de vídeos nas redes sociais e já colecionava vários seguidores. O pai conta que ela tinha o sonho de ser famosa, sonho que foi interrompido de maneira triste e inesperada.
A Secretaria de Saúde do Estado se manifestou sobre o ocorrido e divulgou a seguinte nota: "Devido ao recrudescimento da pandemia de Covid-19 e ao aumento exponencial de internações, a sobrecarga na rede de saúde já é uma realidade em diversos locais, e os serviços do SUS esforçam-se para garantir assistência adequada e oportuna a todos. Isso é feito para demandas das 645 cidades do estado, independentemente da doença do paciente. O mesmo ocorre por parte da Central de Regulação estadual, que funciona 24 horas por dia como mediadora entre os serviços de origem e de referência.
Seu papel não é criar leitos, mas auxiliar na identificação de uma vaga no hospital mais próximo e apto a cuidar do caso. Nenhuma negativa parte deste serviço, que é apenas intermediário. Cada solicitação é avaliada por médicos reguladores, sendo crucial a atualização do quadro clínico, estabilização e deslocamento seguro do paciente.
A demanda de transferências para casos de Covid-19 registradas na Cross cresceu 117% em comparação ao pico da pandemia: atualmente, são cerca de 1,5 mil pedidos por dia, contra 690 em junho de 2020, quando foi o auge da primeira onda. Em 10 de março, a média de pedidos era de 1,2 mil diariamente. Cerca de 35% das solicitações diárias referem-se a leitos de UTI. Já houve mais de 190 mil regulações de Covid-19 desde março do ano passado.
A regulação depende da disponibilidade de leitos e de condição clínica adequada para que o paciente seja deslocado com segurança até o hospital de destino".

