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Análise: Soltura de Dirceu, por si só, não entusiasma PT

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RIO. Apesar de ser um quadro histórico do partido, a soltura do ex-ministro José Dirceu, em si, não foi recebida com entusiasmo pela cúpula do PT. A prisão do petista, em agosto de 2015, no âmbito da Operação Lava-Jato, causou desconforto no partido pela acusação de enriquecimento pessoal.

Um dos operadores do esquema de pagamento de propinas na Petrobras, Milton Pascowitch afirmou, em delação, ter arcado com despesas pessoais do ex-ministro e seus familiares como forma de repassar o dinheiro. Segundo o Ministério Público Federal, os recursos foram utilizados para pagar parte de um jatinho, despesas de táxi aéreo e reformas em imóveis de Dirceu, do seu irmão e para a compra de um apartamento para a filha do petista.

O delator teria gasto pelo menos R$ 4,5 milhões com Dirceu. Além disso, a Jamp Engenheiros, de Pascowitch, pagou R$ 1,4 milhão ao ex-ministro a título de “consultoria” em 2011.

Na noite de terça-feira, logo após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de soltar Dirceu, o presidente do PT, Rui Falcão, divulgou, por meio de sua assessoria de imprensa, uma declaração protocolar: “Saudamos a decisão do Supremo Tribunal Federal de libertar José Dirceu e esperamos que a mesma decisão se estenda ao companheiro João Vaccari”.

Reunida na tarde desta quarta-feira em Brasília, a Executiva Nacional do PT foi um pouco mais calorosa, ao se referir a Dirceu como “companheiro” e dizer que sua prisão foi injusta. Integrantes do colegiado ainda são leais a Dirceu, como o secretário de Organização, Florisvaldo Souza, e a de Relações Internacionais, Mônica Valente, que é mulher do ex-tesoureiro Delúbio Soares, preso no mensalão.

“O PT saúda a decisão que liberou o companheiro José Dirceu, preso injustamente, e espera que a mesma se estenda ao companheiro João Vaccari”, afirmou a Executiva, no pé do texto de dez parágrafos. É a única menção ao assunto.

A decisão do STF foi considerada positiva pela cúpula do PT não por solidariedade a um dos seus, e sim pela expectativa de que ela seja uma tendência e que comece a colocar freios na força-tarefa da Lava-Jato. Na visão dos petistas, o Supremo “saiu da postura de acovardamento” da qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamava.

Mesmo assim, não há clima para comemoração no partido, que está apreensivo com a possibilidade de o ex-ministro Antonio Palocci contrariar a tradição petista e fechar um acordo de delação premiada.

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