Mais de 10.267 km² foi o índice acumulado de alertas de desmatamento na Amazônia Legal de janeiro até dezembro de 2022, pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). Se for tomado o índice apurado em dezembro, ele equivale ao tamanho da cidade do Recife (PE) em área.
Esse é o terceiro pior dezembro da série histórica do Deter, atrás apenas de 2017 e 2015, quando as áreas de desmate chegaram a 288 e 266 km², respectivamente, representando um aumento de 150% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Os dados divulgados nesta sexta (6) são a pior marca da série histórica anual do Deter, o sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real do instituto.
De acordo com o Inpe, o índice considera o chamado ano civil, ou seja, o período total dos 12 meses do ano, mas antes de chegar dezembro, os especialistas já calculavam que haveria recorde de desmatamento no ano.
Só em dezembro, o acumulado de alertas de desmatamento na Amazônia foi de 218,41 km².
Os dados do Inpe indicavam que em dezembro de 2021 houve o mais baixo índice de desmatamento, abaixo de 87km², situação que mudou a partir de janeiro de 2022 e em todo o primeiro semestre.
Houve aumento do desmatamento nos 9 estados da região que corresponde a 59% do território brasileiro a partir do primeiro trimestre do ano de 2022 porque até março, mesmo com a região apresentando os meses mais chuvosos, o que impediria ações mais efetivas de desmatamento na floresta.
O que surpreendeu os analistas é que as taxas registradas no começo do ano passado se comparam aos registros da estação seca em anos onde houve maior ação contra os crimes ambientais, segundo o Inpe.
Em janeiro de 2022 foram 430,44 km² de área sob alerta de desmatamento. A média para o mês no período entre 2016 e 2021 é de 162 km²; a taxa atual foi 165% maior.
Em fevereiro do mesmo ano foram 199 km² de áreas sob alerta de desmate, muito acima da média entre 2016 e 2021 que foi de 135 km², indicando um número registrado neste ano foi 47% maior.
Os alertas de desmatamento na Amazônia durante todo o ano de 2022 foram se acumulando e chegaram a 4.793 km² de área derrubada entre agosto e dezembro do ano passado, recorde para o período na série histórica iniciada em 2015 pelo Inpe.



