ZFM perde com a reforma tributária, seja qual for o cenário futuro
A Reforma Tributária é uma necessidade, na medida em que simplifica, em tese, o sistema tributário, mas é um pesadelo no longo prazo. Neste momento, ninguém ganha, ninguém perde. A grande batalha ainda está para acontecer, bem equidistante dos relatórios aprovados na comissão do Senado ou pelo Congresso Nacional: concentra-se na regulamentação, onde vai entrar a ferocidade dos estados economicamente mais fortes.
Essa história de menos imposto é mera fantasia. Na verdade, todos os impostos vão permanecer, escorchando o contribuinte. A carga tributária será crescente. A diferença é que os impostos existentes serão fundidos a outros com nomes mais palatáveis, com o propósito de continuar engordando o cofre dos governos.
Quanto à Zona Franca de Manaus, já é possível ver pela frente o dèjá-vu. A gente já viu isso antes, só que nunca nesse ritmo de acentuada desconstrução. Se não está evidente no texto da reforma tributária, a razão é a luta isolada, desesperada e solitária dos senadores do Amazonas, que podem ter seus defeitos, mas têm lutado a boa luta, embora não desconheçam qual será o resultado final.
O que era uma permanente queda-de-braço entre os defensores da Zona Franca e o resto do Brasil, num cenário subjetivo, pessoal, privado e também coletivo e incerto, mas que se repetia e era uma luta que se renovava, agora pode terminar em tragédia, também coletiva, na medida em que será tirado dos amazonenses a subsistência, o emprego, a esperança.
Quem disser o contrário estará ou sendo otimista demais ou mentiroso de menos. De menos...
ASSUNTOS: reforma tributária, ZFM
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.