Bastidores da Política - Wilson Lima era um bom ator no Alô Amazonas. Como governador interpreta mal


Wilson Lima era um bom ator no Alô Amazonas. Como governador interpreta mal

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

02/02/2021 20h11 — em Bastidores da Política

  • O governador Wilson Lima repete exaustivamente que “vivemos um cenário de guerra”, uma guerra que seu governo está perdendo e da qual as vítimas são cidadãos amazonenses pelos quais ele parece ter perdido o respeito.

A mensagem lida pelo governador do Amazonas, Wilson Lima, nesta terça-feira, na reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, foi um  conto de ficção.  Em meio a crescente mortandade pela segunda onda de coronavírus, que seu governo não conseguiu   prever e nem conter, Wilson fala  que ampliou a rede de saúde, ofereceu mais leitos de UTI e investiu no aparelhamento  dos hospitais no interior. O que não disse, nem era necessário diante   dos 8.414 óbitos registrados até aqui pela pandemia ou em consequência dela,  inclusive por asfixia, é  que fracassou.

O governador repete exaustivamente que “vivemos um cenário de guerra”, uma guerra que seu governo está perdendo e da qual as vítimas são cidadãos amazonenses pelos quais ele parece ter perdido o respeito, à medida que comprou respiradores superfaturados, segundo a Procuradoria Geral da República; à medida que não previu que haveria escassez de oxigênio,  inclusive no interior do Estado, onde a Justiça teve que obrigá-lo a transferir pacientes para Manaus e outros Estados.

Além de Manaus, onde dezenas de pessoas morreram  asfixiadas pela falta de Oxigênio, Coari contabilizou 20. Outros tantos foram a óbito pela mesma razão  em hospitais de municípios ao longo da fronteira do Estado com outros países.  Onde o aparelhamento da rede pública de saúde? Em que sentido ?   O  governador improvisou demais, subestimou os constantes alertas de epidemiológicas de que haveria o risco de uma segunda onda. Além de ignorar essa advertência, revogou medidas de distanciamento social.

Ontem, esperava-se mais de Wilson: que ele admitisse que o Estado fez um esforço, mas que não foi suficiente; que seu governo está trabalhando para conter a pandemia, que vai comprar vacinas porque há dinheiro para isso. Mas o que ele fez ? Buscou dividir a criminosa omissão com o ex-prefeito de Manaus, Arthur Neto - o primeiro a tomar medidas de distanciamento social e a montar um hospital de campanha. Que alertou o governador a ser mais rigoroso.

Wilson tem uma trave nos olhos. Tinha uma visão melhor quando era um simples apresentador de TV, que lia tudo o que estava escrito por seus manipuladores no teleprompter. Agora  ficou medroso: desistiu de última hora de  participar do programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, porque sabia que seria emparedado e possivelmente não resistiria as verdades que surgiriam e sobre as quais não há como se defender.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.