Não foi um encontro de gigantes. A política ficou menor com os candidatos ao Senado - ou parte deles - desenterrando esqueletos no debate realizado no YouTube pela Rede Calderaro nesta quinta-feira. Desconsiderar o papel da CPI como instrumento de mobilização da imprensa, da sociedade e do governo na compra de vacinas e no combate sistemático à Covid 19 foi um erro de Arthur Virgilio. E uma injustiça com Omar Aziz, cujo papel como presidente da CPI foi fundamental para a remodelagem da rede de combate à pandemia no Brasil.
Como foi um erro trazer para o debate o caso Flávio pelos candidatos Luiz Castro e Bessa. Arthur, segundo Castro, teria escondido um cadáver.
Na verdade, Arthur utilizou da maior transparência. Chegou na fronteira entre o público e o privado, empurrado pela emoção, mas não a ultrapassou. Nesse aspecto, erraram os candidatos que o atacaram e lhe atribuíram um pecado que não tem. Primeiro, porque é um assunto alheio a disputa pelo Senado. Segundo, porque mexe com famílias que ainda sofrem.
Pecado por pecado, Arthur errou ao atribuir corrupção a gestão de Luiz Castro na Secretaria de Educação. Quem acompanhou o escândalo do sobrepreço do transporte escolar sabe que Castro foi vítima de uma armadilha destinada a destruir sua reputação como gestor público.
Como a maioria foi mal no “debate”, quem chamou a atenção foi a mediadora - Isabela Pina. E aqui reside a resposta à pergunta dos leitores: quem ganhou o debate? O charme da apresentadora. Calma, ela conseguiu conter arroubos de Arthur e Menezes e funcionou como vacina contra a sonolência geral provocada por trocas de acusações. Debate de verdade não houve.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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