Trabalhou, constituiu fortuna, morreu. Agora os filhos brigam...
Um homem trabalha a vida toda, educa os filhos, constrói um patrimônio. Envelhece, enviuva. Procura um novo porto - uma mulher que divida com ele os últimos anos de vida. Quer caminhar por uma nova estrada, tornar a velhice menos pesada. Mas os inimigos moram ao lado - os filhos que constroem muros em torno dele. Mas ele persevera, rompe essa abominável prisão familiar. De repente é surpreendido com um oficial de justiça que lhe entrega um papel com a estranha mensagem de que está interditado, que não administra mais seus bens.
Casos assim são comuns, corriqueiros - filhos qualificando pais como incapazes e se apossando de seus bens. Uma fraude avalizada por juízes desatentos, muitas vezes baseados em laudos médicos fraudulentos.
Esse homem - cujos filhos o traíram - morre. Qual doença? Muitas, um conjunto delas, mas o que o matou de fato foi a decepção, a angústia, o golpe da traição dado pelos filhos. Mal é enterrado, iniciam uma briga sem fim pelo espólio. A viúva é chamada de louca e a batalha se inicia.
Exemplos dessa tragédia familiar estão aqui ao lado: Ritta Bernardino, que morreu em 2018 e José Ferreira de Oliveira, o Passarão, falecido em maio deste ano, ambos deixando uma grande fortuna que está gerando muito ódio na disputa de cada moeda pelos filhos.
Antes de morrer poderiam ter vendido todos os bens, ganhado o mundo desfrutando de uma riqueza que era só deles.
Mas deixam um exemplo às avessas. Quem tem filhos, tem o dever de investir na educação deles, prepará-los para seguir suas vidas de forma independente. Se acumulou bens e envelheceu, cabe vendê-los e viajar, viver intensamente os últimos dias. Mas antes é imprescindível comprar um freezer e deixar um “dim dim” para cada potencial herdeiro chupar antes do velório, para que sintam o gosto das frutas que terão de adquirir com o suor do próprio rosto…
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.