Dentro das famílias se escondem os piores dramas, mágoas e pequenas vinganças. Faltava um canal para esses conflitos sairem do ciclo familiar e escorreram como lama e sangue pelas ruas, entrarem dentro de outras casas e explodirem nas redes sociais - onde se abriga um mundo controverso e cruel.
Na tarde desta terça-feira um desses dramas foi lançado na mídia, tendo como alvo um dos nomes mais respeitáveis do judiciário amazonense, o desembargador aposentado Rafael Romano.
Ele é acusado pela ex-nora Luciana Pires de praticar pedofilia contra a própria neta. Mas tanto a mensagem postada numa rede social quanto a entrevista à Rede Tiradentes revelaram uma mágoa aparentemente antiga. Mas ainda assim a acusação é gravíssima, e deve ser investigada.
Pode, efetivamente, se tratar de um crime escondido e só agora descoberto. Denunciar esse tipo de crime é preciso. Mas sem deixar que mágoas pessoais interfiram na forma.
A justiça existe como recurso legal. A opção por agredir, ferir e destruir, antes de buscar a justiça, revela um desprezo singular pelo que é correto. Nem o Ministério Público nem o Judiciário podem ser instrumento de pequenas vinganças. Daí a importância de uma investigação séria e imparcial.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.




Aviso