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População pediu a volta dos militares. Elegeu Bolsonaro e eles retornaram

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Por Coluna do Holanda
03/12/2018 às 23h31 — em Coluna do Holanda
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Daqui a exatos 9 dias completa 50 anos a edição do Ato Institucional n.5. Daqui a exatos 28 dias o capitão Bolsonaro toma posse como presidente do Brasil, trazendo com ele idéias tão antigas quanto as dos governantes daquele tempo sombrio. Mas o que Bolsonaro e seus amigos militares e o xerife Sérgio Moro fizerem de bom ou ruim pouca gente pode se queixar. Eles terão respaldo de 58  milhões de brasileiros que votaram no capitão. Há 50 anos ( 13 de dezembro de 1968), protegidos por um Ato também assinado  por um grupo de civis, o regime instaurou a censura à imprensa, cassou políticos, fechou  o Congresso e colocou o Supremo de joelhos. 

  • Foto de Evandro Teixeira é em si mesma uma síntese do período governado pelos militares. 


Bolsonaro ainda é uma incógnita, apesar de tudo o que ele já disse. Mas encarna a volta do regime militar, que a população, cega,  pediu nas ruas. A poucos dias de sua posse há medo - medo de radicalização, de perseguição  política, de censura à imprensa, de confronto aberto com o Judiciário e o Congresso. Há medo de fracasso.

O brasileiro sempre  esteve ao longo da história entre o abismo e a esperança. Não poucas vezes optou pelo abismo imaginando que podia flutuar. E sempre se quebrou e com ele o País. 

O medo de regimes totalitários com forte apoio popular que se esvaem com o tempo enquanto eles se tornam  demônios difíceis de exorcizar. 

Não por acaso, com medo da guerra em 1940 Carlos Drumond  de Andrade escreveu seu poema " Congresso Internacional do Medo ", que parece tão atual e aplicável ao Brasil de hoje. No ano anterior a Alemanha de Hitler havia invadido a Polônia e instalara um regime de terror que por muito pouco não se apoderou do mundo. 

Para quem nunca leu Drumond, vai o poema abaixo. Ler vale a e pena...

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,

não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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