É auspicioso o empenho do novo diretor geral da Polícia Federal, Andrei Passos, de combater " métodos de disseminação de mentiras ". Mas responsabilizar as redes sociais pela " instrumentalização criminosa " de fatos não verídicos é um excesso. E um risco à liberdade de expressão.
Não é fácil reconhecer uma mentira, menos ainda certificar-se que o que é dito, falado e escrito é a verdade absoluta na qual se deve acreditar.
No estado de direito é preciso agir de forma a não reduzir o espaço que o cidadão tem para se manifestar, sob risco de se instaurar uma ditadura sob o verniz da defesa da democracia.
O que as autoridades precisam entender é o significado de democracia e o que, afinal, entendem por liberdade de expressão e opinião.
Ao afirmarem que essa liberdade não é absoluta estão impondo trava que no geral ameaça a própria busca da verdade, que nem sempre é a oficial.
De fato, há grupos que criam situações que desestabilizam, geram medo, pânico e devem ser combatidos.
Separar o joio do trigo é outra coisa, não colocar todas as redes sociais e milhões de brasileiros com perfis ali, no mesmo balaio.
O combate a mentira nas redes sociais deve ser profissional, deixar de ser uma obsessão. Obsessões cegam, levam ao autoritarismo e são a maior ameaça à democracia.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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