Bastidores da Política - Pazuello sofre, mas ganha tempo. O pesadelo do general em depor na  CPI da Covid


Pazuello sofre, mas ganha tempo. O pesadelo do general em depor na CPI da Covid

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

04/05/2021 19h06 — em Bastidores da Política

  • O general Eduardo Pazuello ganhou 15 dias extras de isolamento, quero dizer, treinamento para enfrentar a CPI da Covid no Senado. É limitado demais, receoso demais, pequeno demais. Sabe que o risco de ser espremido é grande. Sua saída mais honrosa é dizer o que todo mundo sabe: só fez o que o chefe mandava. Por isso errou tanto.

O grande ganho da CPI da Covid não veio de revelações mornas e já conhecidas do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o primeiro a depor nesta terça-feira no Senado, mas do comunicado feito pelo também ex-ministro Eduardo Pazuello, de que não irá depor agora em razão da suspeita de ter contraído Covid. Na verdade, Pazuello arregou e de resto um governo despreparado até para enfrentar uma Comissão Parlamentar de Inquérito que no primeiro dia pareceu confusa e pouco produtiva, comportada demais e com um protagonismo muito grande do presidente, Omar Aziz.

Mas o dia seguinte promete. Será ? O depoimento de Nelson Teich pode não trazer tantas novidades. Teich foi o homem mais breve no Ministério da Saúde, pouco falou, pouco produziu, pouco se comunicou com a sociedade.

Seu único gesto importante foi virar as costas para o governo Bolsonaro, quando a ordem era enfiar cloroquina na goela dos brasileiros.

Todos sabem que a ideia é pegar Bolsonaro como o grande vilão do morticínio no País, e esse novelo  de cadáveres espalhado de norte a sul pode ser desfeito com o depoimento mais importante, além, é claro, do próprio Pazuello: o do ex-secretário de comunicação, Fábio Wajngarten, que já responsabilizou o general  pela decisão do governo de não comprar vacinas da Pfizer.

O que se sabe que não é verdade, mas pode ser o fogo amigo que vai queimar não apenas o ex-ministro, mas todo um governo já envolto em um princípio de incêndio.

O general  ganhou 15 dias extras de isolamento, quero dizer, treinamento para enfrentar a CPI da Covid no Senado. É limitado demais, receoso demais, pequeno demais. Sabe que o risco de ser espremido é grande.  Sua saída é dizer o que todo mundo sabe: só fez o que o chefe mandava. Por isso errou tanto.

E ainda tem outra saída para livrar a si mesmo e ao presidente: culpar os governadores. No caso da falta de oxigênio em Manaus, não é difícil apontar o dedo para o governador Wilson Lima. E não  estaria apenas dividindo culpas…

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.