O Dia do Trabalhador deste ano trouxe uma novidade impensável desde os tempos de Getúlio Vargas. A falta do pronunciamento anual do presidente da República saudando os trabalhadores. E também o anúncio oficial do valor do salário mínimo, que não aconteceu. Com medo do barulho das panelas, a primeira presidente mulher do país ficou com medo da categoria social que dá nome ao seu partido. Até mesmo as centrais sindicais foram às ruas com objetivo diferente: invés de apoiar o governo do Partido dos Trabalhadores, o dia foi de críticas às medidas adotadas por ele.
Na mídia o ex-presidente Lula da Silva retomou suas aparições marcadas pela incoerência do palavreado solto do próprio discurso. Disse, por exemplo, que a elite do país tem um “medo inexplicável” de que ele volte à Presidência. Mas reconheceu que nunca “esse setor “ganhou tanto dinheiro” como em seu governo (2003-2010), indicando que na realidade ele trabalhou em benefício da elite econômica e não do trabalhador.
Rio engole parte do Amazonas
A enchente no Amazonas mereceu destaque ontem no Jornal Nacional da Rede Globo, que mostrou imagens das alagações nas zonas ribeirinhas do rio Solimões, onde cerca de 100 mil pessoas atingidas estão ,vivendo nas chamadas “marombas”. Nas ruas das cidades os carros são substituídos por canoas, motores de rabeta e até jet-skys. A Defesa Civil do Amazonas atua com equipes próprias nos 19 municípios atingidos, distribuindo alimentos e agasalhos e construindo passarelas de madeira para o deslocamento dos moradores.
A verdade
O governador José Melo decidiu reconhecer oficialmente, por meio de nota pública, a incapacidade de o governo atender no momento as reivindicações das categorias de servidores públicos que têm reajustes previstos para este primeiro semestre. Segundo a nota divulgada nos meios de comunicação, a queda de arrecadação colocou o governo no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal em relação à folha de pagamento. Pela LRF, os Estados não podem gastar mais que 46,55% do orçamento com servidores, e se passarem desse índice, ficam impedidos de dar aumento e criar novos cargos. E se superarem 49% da receita com pessoal, o governador tem que demitir funcionários, começando pelos cargos comissionados.
Limites em sala de aula
A Lei que limita o número de alunos em sala de aula da rede escolar pública e privada do Amazonas, do deputado José Ricardo foi promulgado pela Assembleia Legislativa, justamente num momento em que o governo não poderá contratar mais professores, por causa da crise. O autor ficou eufórico com a promulgação, “Agora é lei”, mas já sabe que terá de esperar a crise passar para ver as salas com menos alunos e a escolas públicas com mais professores.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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