O PMDB revelou ontem, por meio de nota oficial, uma posição ambígua em relação à CPI da Pedofilia. Sendo um dos dois partidos com maior bancada na Assembleia Legislativa, na reunião de líderes para instalar a comissão, teve direito a indicar um membro titular na comissão, mas abriu mão dessa prerrogativa. Preferiu indicar uma aliada, a deputada Vera Castelo Branco, do PTB, que foi rejeitada pela maioria dos líderes partidários. Resultado: Vera e a bancada se retiraram da reunião. Ontem o líder Marcos Rotta explicou que o partido queria uma pessoa que poderia ser “o start” da CPI nas investigações, por ser delegada de carreira...

O que menos a comissão criada para apurar crimes relacionados a prostituição infanto juvenil precisa é de delegado. Precisa de parlamentar, que o PMDB revelou não possuir, ao menos com as qualidades que uma CPI exige...
NO OLHO DO FURACÃO

O autor e parlamentar mais empenhado na criação e instalação da CPI da Pedofilia não participou ontem da primeira reunião da comissão recém-instalada na Assembleia Legislativa. O deputado Luiz Castro viajou pela manhã para São Paulo, onde tinha dois encontros na agenda. Mas deixou o suplente José Ricardo, que não decepcionou o titular. Foi direto no foco de maior interesse da oposição, pedindo que a CPI investigue logo os crimes contra crianças e adolescentes cometidos em Coari e os deflagrados pela operação Estocolmo em Manaus. São os assuntos que estão dando mídia.

Mas a pressa de entrar no “olho do furacão” esbarra na tranquilidade do presidente da CPI, deputado Abdala Fraxe, quer pretende ter antes um diagnóstico geral da situação em todo o Amazonas, para só depois se debruçar em fatos que já foram investigados e estão tramitando no âmbito da Justiça.
MUITO ESPERTOS ESSES "ALIADOS" DO GOVERNADOR
A decisão de José Melo em deixar para junho decisões de natureza política e focar exclusivamente na administração do governo é boa, mas já começa a atiçar a esperteza de aliados, que vêem na atitude uma oportunidade para empurrar com a barriga o apoio (ou não) à reeleição do governador. Enquanto isso permanecem no governo saboreando a fatia do bolo que lhes cabe, sem precisar se indispor com ninguém.
EXTRA OU RESCISÃO
Em janeiro deste ano, a Câmara Municipal de Manaus tinha 1.723 servidores e pagou uma folha de R$ 6,009 milhões. O mês seguinte, fevereiro, o número de funcionários caiu para 1.716, mas o valor da folha subiu R$ 79 mil, passando para R$ 6,088 milhões. Deve ser hora extra ou o peso das rescisões.
FATOS SUPERVENIENTES
A Assembleia Legislativa do Amazonas assinou o 3º termo aditivo ao contrato nº 11/2012 com empresa Benner Sistemas, por mais três meses, sob a alegação de fatos supervenientes que acrescentaram vários módulos e serviços ao contrato original, assim como a integração com o sistema da Sefaz. Fato superveniente é expressão bonita para esconder deficiência no planejamento. O extrato não diz em quanto isso vai aumentar os custos ao contribuinte.
NÃO COLOU
Lá pela Câmara Municipal de Manaus a Comissão de Economia, Finanças e Orçamento brecou emenda ao projeto de lei que disciplina o uso da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap) que previa autorizar aluguel de imóvel nos bairros. Diz o presidente da comissão, vereador Francisco Gomes, que os vereadores já tem os gabinetes no QG do Legislativo.
PRIVADO E PÚBLICO
O 2º vice-presidente da Câmara Municipal de Manaus, João Miranda, está querendo aumentar os investimentos dos comerciantes para dar bem-estar a seus clientes. Miranda tem projeto para obrigar empresários a disponibilizar sanitários a clientes e usuários. A ideia é boa, mas e os sanitários públicos estão instalados onde?
FATOR SNOWDEN
Quase sete meses após ser instalada, a CPI da Espionagem terminou sua investigação com recomendações com cheiro ideológico da esquerda. Entre estas há sugestão de que o Brasil construa rede de cabos submarino que não passe pelos EUA. Inspirada e presidida pela senadora Vanessa Grazziotin, a CPI parece ter esquecido que o vazamento só aconteceu porque quem controla informação são seres humanos. Simples assim.
PIOR SEM ELA
A MP que flexibiliza procedimentos licitatórios regulados pela 8.666/93 não teve o voto do deputado federal petista Francisco Praciano. Ele diz que a atual lei dificulta o desvio de dinheiro público. Pura verdade e é por isso que quem está no poder inventou essa flexibilização total com o tal de Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC).
URGÊNCIA NA PEC DA ZFM
Ontem, Quinta-feira, no Congresso Nacional muitos gabinetes já estavam com as portas trancadas; suas excelências se mandaram para suas bases. Afinal, é ano de eleições e ninguém quer perder o emprego. É dominante a ideia de que o que não for votado até maio, só em 2015. Por isso a bancada do Amazonas tem que se unir, mais do que nunca, pela aprovação, logo, de mais 50 anos para a Zona Franca de Manaus. Nenhum presidente de multinacional investirá no Polo Industrial até a presidente Dilma Rousseff sancionar a PEC, e no próximo ano o contexto pode ser completamente diferente de hoje.
DIREITO DE RESPOSTA
" A Câmara Municipal de Manaus esclarece que o pregão realizado para a compra de água mineral para atender as necessidades da casa legislativa resultou na aquisição dos seguintes itens, conforme publicação no Diário Oficial Legislativo:
Garrafão de água mineral de 20 litros: R$ 4,15
Pacote com água mineral contendo 12 garrafas de 350 ml: R$ 6,40
Pacote com água com gás contendo 12 garrafas de 350 ml: R$ 9,40
A licitação resultou numa economia média de 45% a 50% em relação aos valores praticados no contrato anterior ."






Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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