Com o Amazonas liderando o ranking nacional de perdas, as companhias aéreas brasileiras suspenderam o planejamento de voos para o estado após os sucessivos aumentos no preço do Querosene de Aviação (QAV). Segundo levantamento baseado em dados da Anac, o Amazonas sofreu uma redução de 17,5% na sua malha aérea programada, o impacto mais severo entre todas as unidades da federação.
O corte nas operações é um reflexo direto do reajuste de 54% no combustível aplicado pela Petrobras em abril, com previsão de nova alta de 20% já para o início de maio. Como o custo do combustível representa uma fatia significativa do valor operacional, as empresas optaram por cortar as rotas menos rentáveis, atingindo em cheio a conectividade da região Norte.
Os demais estados mais afetados são: Pernambuco (-10,5%), Goiás (-9,3%), Pará (-9,0%) e Paraíba (-8,9%). Enquanto eixos como a ponte aérea Rio-São Paulo seguem operando com poucas alterações, o passageiro amazonense enfrenta um cenário de isolamento logístico. A redução de 17,5% no estado significa menos opções de horários e a retirada de aeronaves de médio porte que garantiam o fluxo de pessoas e mercadorias.
A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) classificou o cenário como "gravíssimo". Apesar de medidas paliativas do governo, como a isenção de impostos federais, o setor reclama dos juros elevados cobrados pela Petrobras para parcelar os reajustes, o que inviabiliza a manutenção de rotas no Amazonas, onde os custos logísticos já são naturalmente mais elevados.



