Os excessos cometidos no caso Daniel Silveira - dele e de quem o julgou - foram extremos que se encontraram e se misturaram formando uma massa homogênea que contaminou o país pelo radicalismo Não se sabia quem disseminava ódio ou quem tinha ódio de quem odiava. A coisa desandou de tal maneira que ficou difícil entender quem havia ultrapassado a linha divisória da tolerância. Era como se o deputado, na sua loucura, arrastasse o STF com ele para o abism o.
O perdão concedido pelo presidente Jair Bolsonaro ao deputado Daniel Silveira, condenado pelo STF a 8 anos de prisão, tem o condão de restabelecer o sistema de freios e contrapesos pelo qual os poderes se controlam e se auto-regulam, e que havia sido minado pela concentração de decisões no Judiciário. Menos por culpa deste e mais - como já dissemos - pela omissão do Legislativo.
O perdão concedido ao deputado pode ser criticado, mas os questionamentos para derrubá-lo esbarram na própria Constituição, que confere ao presidente o uso desse recurso.
Não se pode afirmar que tenha sido deflagrada uma nova crise entre os poderes, mas certamente abriu-se espaço para um rearranjo desse sistema de freios que estava desregulado, com o Judiciário de certa forma concentrando decisões que caberiam, em grande parte, ao Legislativo ou ao Executivo.
O perdão a Daniel Silveira deve ter consequências positivas para o País, com o Legislativo acordando de sua letargia.
Só vê crise instalada quem olha um lado da questão, ou toma partido. Mas o Brasil tem que visto como um todo.
Democracia não é uma simples palavra colocada na boca de quem só defende seus próprios interesses ou pontos de vista. Democracia é mais do que o povo influenciando nas decisões de governo. É também a capacidade dos poderes, inclusive do Judiciário, de compreender seus limites.
Os excessos cometidos no caso Daniel Silveira - dele e de quem o julgou - foram extremos que se encontraram e se misturaram formando uma massa homogênea que contaminou o país pelo radicalismo de parte a parte. Não se sabia quem disseminava ódio ou quem tinha ódio de quem odiava.
A coisa desandou de tal forma que ficou difícil entender quem havia ultrapassado a linha divisória da tolerância. Era como se o deputado, na sua loucura, arrastasse com ele o STF para o abismo.
Agora é esperar que o rearranjo institucional aconteça, que o sistema de freios e contrapesos volte a ser instaurado. Só assim será possível o país vencer o ódio e a intolerância.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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