Foi o melhor dia da CPMI dos “atos antidemocráticos”. Quem ligou a enfadonha TV Senado imaginando que veria a repetição dos dias anteriores, com deputados querendo aparecer e empurrando opiniões pessoais na goela dos “convidados”ou acusados de atentarem contra a democracia, sem que estes reagissem, se surpreendeu com o comportamento do general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete Institucional de Jair Bolsonaro. Não que o general respondesse a altura as perguntas que os deputados faziam, mas porque reagia com inusitada indignação, num tom que, se pareceu agressivo para uns, para outros continha uma pitada de humor e revolta.
É verdade que a forma como a relatora Eliziane Gama (PSD-MA), fez a pergunta se Heleno considerava a eleição fraudulenta e diante da resposta dada pelo ex-ministro de que ”já há um presidente eleito, não posso dizer que foram fraudadas, já que foram examinadas”, a deputada extrapolou, ao dizer: “então o senhor mudou de opinião”. A frase é acusatória e contém um julgamento prévio que a parlamentar, como relatora da CPMI, deveria se abster.
Por isso a reação indignada do general tem justificativa: “Ela fala as coisas que ela acha que estão na minha cabeça, é para ficar puto, puta que pariu”
A CPMI foi constituída para investigar, ouvir e a partir do material colhido, acionar os órgãos de controle e a justiça. Não é palco para comício pre-leitoral de deputados que querem voltar aos seus estados para disputar as próximas eleições municipais.
Heleno não foi pequeno, como muitos analistas tomados pelo viés esquerdista disseram. Foi corajosos, autêntico. Se exagerou nas palavras, é preciso entender sua condição de interrogado-acusado, sobre o qual recai uma dose de ódio estimulado por uma esquerda que acha que voltou ao poder e de lá nunca mais vai sair. Pura ilusão…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.


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