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O golpe de 31 de março de 1964 não teria ocorrido sem apoio civil

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Por Coluna do Holanda
30/03/2023 às 23h34 — em Coluna do Holanda
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O 31 de março já foi comemorado com pompas por militares e entidades civis, inclusive durante os dois primeiros governos Lula. Mas hoje, muito provavelmente, os quartéis estarão em silêncio. Lula assumiu o governo disposto a fazer o que não fez há 20 anos: assumir que houve um golpe, não uma revolução. Portanto, não se pode comemorar o que se tornou uma mancha na história do País.

Mas revirar o lixo da história, quando  Lula teve a oportunidade de incinerá-lo no seu primeiro governo, é um erro.

Lula sabe muito bem que os  militares não teriam derrubado o governo João Goulart em 1964 sem o apoio do Congresso Nacional e do empresariado brasileiro. Sem a conivência da "imprensa democrática” e o apoio nada discreto da Igreja Católica. Deu no que deu: prisões, cassações, censura, perseguições, sempre com o apoio civil.

Esses "anos de chumbo", como ficaram conhecidos pela esquerda, só duraram duas décadas porque o Brasil é um país de elites. A banda segue para onde a classe rica e média ditam os rumos.

É verdade que houve um momento em que os civis, que apoiaram o golpe, perceberam que não mais compartilhavam das benesses do poder militar e iniciaram um forte apoio aos grupos de esquerda - alguns de fato terroristas. Mas essa é outra história que não interessa a Lula.

Houve golpe, não revolução - revolução redime e renova as forças de um país - o que não aconteceu no Brasil. Mas o golpe não foi apenas militar, como a história conta. Foi também civil, incentivado, arquitetado e apoiado por civis.

Se há militares que merecem um dia sentar no banco dos réus, uma grande maioria de civis que apoiou o golpe também deveria passar para a história como traidores da democracia.

Uma pergunta: de que lado estavam as Organizações Globo durante a noite fatídica de 31 de março para 1o de abril  de 1964? Apoiando abertamente, inclusive com editoriais, o golpe militar.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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