Bastidores da Política - O barco do capitão Bolsonaro está afundando…


O barco do capitão Bolsonaro está afundando…

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

25/03/2021 18h44 — em Bastidores da Política

O barco do capitão Bolsonaro fez água nas últimas 24 horas e pode naufragar. Os ratos começaram a abandoná-lo, mas os escorpiões ainda acreditam que poderão sobreviver ao naufrágio. As primeiras boias salva-vidas foram usadas pelo Centrão, que não é de morrer na praia, enquanto o núcleo duro do governo começou a derreter.

O capitão Bolsonaro pode repetir  Francesco Shcettino, o capitão do transatlântico Costa Concórdia, que naufragou próximo à ilha de Giglio, na  Itália, em 13 de janeiro de 2012. Diante da possibilidade do navio afundar, ele foi o primeiro a fugir. Acabou preso e responsabilizado pela morte de dezenas de turistas.

Bolsonaro tem nas costas  300 mil mortos, em razão, principalmente, do negacionismo de seu governo. Se o barco afundar, não deixará novas vítimas das quais se possa lamentar, mas libertará o País de um governo omisso, irresponsável,  negacionista.

Bolsonaro pode até sobreviver a esse desastre, mas sem chances de sonhar com uma reeleição. Levará para o fundo do poço da história aliados inseparáveis -  a direita doentia, extremista e cúmplice;  alguns governadores que se tornaram dependentes do seu poder efêmero sobre a Procuradoria Geral da República, a Polícia Federal  e outras instituições do País.

Um governante que sabidamente erra e insiste no erro como Bolsonaro, que manda o brasileiro comprar vacina na “casa da mãe", que diz que quem tomar o imunizante contra o coronavírus  pode virar jacaré, que deixa faltar insumos básicos na rede hospitalar, que desdenha do luto de milhares de famílias, não sobreviveria tanto tempo se o seu poder sobre a polícia, os órgãos de controle, parte do Legislativo e do  Judiciário não fosse tão grande.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.