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No princípio era o Verbo e o Verbo era Eduardo Braga

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Por Holanda
27/12/2011 12h25 — em Coluna do Holanda

“O tempo do verbo é diferente no Executivo e no Legislativo. Lá, falamos ‘vou fazer, já fiz’; aqui, falam: ‘estamos providenciando, estamos fazendo'. ¨É um gerúndio que não acaba nunca”, disse o senador Eduardo Braga à revista Istoé, em fevereiro deste ano. O gerundismo é a melhor forma de não se comprometer. Braga usou muito bem esse tempo do verbo para explicar a rendição da bancada do Amazonas, comandada por ele,  ao governo Dilma, e a falta de reação dos parlamentares aos sucessivos golpes contra a Zona Franca de Manaus.

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Em relação a sucessão municipal, o senador também não quer se comprometer. Diz: "estou pensando", o que apenas aumenta o clima de indefinição que tornou o seu grupo politico um saco de gatos.

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Braga, acostumado a mandar, como ele mesmo diz, agora está preocupado em agradar a presidente Dilma. Menos porque se tornou amigo da presidente e mais porque tem ambições. Sonha ser ministro ou presidente do Senado. Nos dois casos, depende de Dilma, que também é especialista em usar o verbo no sentido da enrolação : dos eleitores,  do país e do próprio Eduardo...

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O gramático Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras, diz que o uso excessivo do gerúndio marca a oposição entre promessa e esperança. Nos dois casos, partindo de pessoas que foram eleitas para decidir o que é melhor para o Amazonas e o Brasil, é ruim. Muito ruim.

Esqueçam o que eu falei

Vereadores aprovaram, ontem, a nova tabela do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que terá um reajuste médio de 20%.  O projeto de reajuste proposto pelo prefeito Amazonino Mendes (PDT) é a ideia de  Robin Hood às avessas: proprietários do bairro São Geraldo, por exemplo, de classe média, pagarão 1,45% a mais, Adrianópolis, de classe média alta, terão um reajuste de 0,79%. O porcentual de 20% deve ser uma obsessão de Amazonino. Em setembro de 2008, faltando menos de um mês para a eleição em que seria vitorioso, ele aproveitou o horário eleitoral gratuito na TV, para intensificar as promessas.

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Com toda pompa, Amazonino prometeu reduzir o IPTU em 20%, valendo para toda a cidade de Manaus. Na mesma aparição prometeu criar o Bolsa Família Municipal e uma universidade municipal. O Bolsa Família daria mais R$ 20 reais para as 100 mil famílias que já recebiam o benefício do governo Lula. Este último, que é um programa de retorno eleitoral imediato, foi cumprido e propagandeado no marketing oficial. Já a Universidade Municipal é como a Conceição:ninguém sabe, ninguém viu, assim como as mil creches, número recentemente reduzido para 150 e que só a velhinha de Taubaté acredita.

Forca de Frota

O vereador Mário Frota (PSDB) conseguiu dramatizar a votação dos projetos de lei encaminhados pelo Executivo municipal, principalmente aquele que reajustou o IPTU ao chegar com uma corda já atada em forma de forca. Frota errou na avaliação e mesmo assim faltou corda, já que ele dizia que dos 38 parlamentares, 31 votariam a favor do Executivo: foram 12 os que rejeitaram a proposta  e 25 aprovaram o reajuste, como era esperado.

Promovidos a pobres

O programa do governo federal que vai investir R$ 18,7 bilhões no Bolsa Família em 2012 quer tirar 16 milhões de pessoas da “extrema pobreza” até o fim de 2013, conforme afirmação da presidenta Dilma Rousseff no programa de rádio ‘Café com a Presidenta’ desta segunda-feira. Quer dizer, vão ser promovidos a simples pobres. Deve mudar demais a vida desses brasileiros.
 
Menos trote, mais violência

O diretor do Ciops, Raimundo Oliveira Filho, está comemorando a queda no número de trotes neste ano de 2011, que passou de 14%, em 2010, para 6%. Os trotes podem ter diminuído, mas o número de assassinatos e outras ocorrências violentas aumentaram, mesmo assim não se vê a divulgação dessas estatísticas negativas na área de segurança pública.

Mil mortos

É o deputado Francisco Praciano (PT) quem informa o fato de Manaus ter completado mais uma estatística trágica: na semana passada foi morta a milésima vítima de assassinato, como só no fim de semana do Natal foram assassinados mais dez, o número de mortes violentas na cidade está à frente dos 842 casos registrados em 2010 em cerca de 20%.
 

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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