Início Coluna do Holanda ‘Leva esse corpo daqui, não é de minha mãe”. Manaus vive dia de vexame e espanto
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‘Leva esse corpo daqui, não é de minha mãe”. Manaus vive dia de vexame e espanto

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Por Coluna do Holanda
25/04/2020 às 01h08 — em Coluna do Holanda
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A entrega de corpos trocados a famílias de vítimas da Covid 19 em Manaus,  adicionou espanto e horror a um cenário já bastante dramático. E tornou a dor mais aguda.

O descuido de funcionários com os mortos e seus familiares tem um componente de desumanidade, de falta de compaixão, de desprezo com a dor dos outros.

O vírus ja não é a causa da ferida na alma  quando um familiar é acometido e morre pela Covid.  A dor vem de um vexame  de servidores públicos  descuidados, para dizer o mínimo.

São eles a causa do espanto e da humilhação.  Em cada cadáver trocado deveria  vir impressa a frase memorável do filme  “A coisa”, do diretor  Gary Dauberman, como assinatura desses poucos servidores que pecam pelo desleixo e pela incompetência :

Eu sou cada pesadelo que você já teve,  eu sou o seu pior sonho se tornando realidade. Eu sou tudo o que você sempre teve medo”.

E preciso ter  medo mesmo de quem não  honra cargos,  funções ou atribuições que, em tese, deveriam  ligar governo e sociedade.

SAINDO DAS COVAS PARA PROTESTAR

A  crise do coronavírus não é a pior que o Brasil enfrenta. O desmantelamento de governos e suas instituições talvez seja o pior cenário que fermenta no caldeirão do caos momentâneo.

Agora é o próprio país precisa de respirador para enfrentar o vírus que corrói as entranhas do governo central e de alguns Estados como o Amazonas. A grita geral do povo exige ação.

Porém, os governantes se ‘enroscam’ em crises políticas por seus próprios interesses, alheios ao sofrimento do povo. Se não houver um basta, o terror vai precisar sair das covas para protestar.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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