Compartilhe este texto

A grande seca e o isolamento de Manaus


Por Raimundo de Holanda

13/03/2024 20h24 — em
Bastidores da Política



Com estudos apontando para uma grande seca dos rios este ano - as chuvas em pleno inverno amazônico estão escassas e o verão começa  em maio-junho, cresce a preocupação com o isolamento de Manaus. A única alternativa, a BR 319, é ainda uma promessa, com o asfalto chegando a conta-gotas, travado por questões ambientais. 

A rodovia, aberta entre 1965 e 1980, interessa especialmente ao Amazonas, que depende dos rios para alavancar o comércio, importar alimentos e insumos para a Zona Franca de Manaus. Na vazante, a cidade estanca, a atividade econômica diminui, as indústrias desempregam, o custo de vida sobe, a pobreza cresce.

E a rodovia? Bom, não saiu e nem vai sair porque seu custo é de algo em torno de R$ 10 bilhões. Não vai sair porque num governo paralisante, como o do PT,  e com a Amazônia entregue a Ongs, com órgãos ambientais dominados por integrantes de organizações financiadas por governos estrangeiros “para proteger  a Amazônia”, os empecilhos são imensos. 

Vencer o isolamento  vai depender de criatividade  e os rios, desassoriados, ainda são saídas como estradas viáveis.

Mas isso não se faz com palavras. É necessária ação preventiva, deslocar dragas para áreas que historicamente  concentram maior quantidade de sedimentos em períodos de seca, impedindo a navegação. 

O que não tem solução é o isolamento ao longo de braços de rios no Amazonas, provocando migrações para a cidade. Aportes financeiros são necessários para prover alimentos e água potável para comunidades isoladas.

Tudo isso é previsível. Governo que se preza, que representa o povo e seus anseios, é governo prevenido. Ou se prepara para enfrentar os desafios que a natureza impõe, ou não conseguirá fazer depois...

Siga-nos no

ASSUNTOS: Amazonas, BR r319, estiagem, Manaus, seca

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.