ENEM no fuso de Brasília prejudica amazonenses
- O tempo de Brasília não pode continuar atrasando a vida de quem vive fora dela. Um país que se diz federativo precisa começar pelo básico: reconhecer que o Brasil é grande demais para caber em um único fuso horário.
- O país continua sendo comandado como se fosse uma única cidade. Brasília dita o relógio, e todos os outros estados precisam se ajustar — mesmo que vivam em fusos diferentes, realidades diferentes e distâncias enormes.
- Isso não é federalismo. Federalismo é reconhecer que cada região tem seu tempo, sua cultura, seu modo de funcionar.
Mais uma vez, o Enem mostrou que o Brasil ainda não aprendeu a respeitar suas próprias diferenças. No Amazonas, vários candidatos perderam a prova de 2025 porque se confundiram com o “horário de Brasília”. É sempre o mesmo aviso, o mesmo problema e o mesmo silêncio das autoridades.
A confusão parece pequena, mas revela algo maior: o país continua sendo comandado como se fosse uma única cidade. Brasília dita o relógio, e todos os outros estados precisam se ajustar — mesmo que vivam em fusos diferentes, realidades diferentes e distâncias enormes. Isso não é federalismo. Federalismo é reconhecer que cada região tem seu tempo, sua cultura, seu modo de funcionar.
A Constituição diz que o Brasil deve reduzir as desigualdades e respeitar as diferenças entre as regiões. Mas o que se vê é o contrário: decisões centralizadas, feitas sem ouvir quem está longe da capital. O fuso horário é só um exemplo do quanto o Norte e o Centro-Oeste ainda são tratados como “anexos” do país.
Respeitar o horário local não é apenas uma questão de relógio, é uma questão de respeito. O tempo de Brasília não pode continuar atrasando a vida de quem vive fora dela. Um país que se diz federativo precisa começar pelo básico: reconhecer que o Brasil é grande demais para caber em um único fuso.
ASSUNTOS: ENEM, FEDERALISMO, FUSO HORÁRIO
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.