Acompanhar os candidatos ao governo do Amazonas nas redes sociais é um passeio e tanto. Uma viagem na utopia de que milagres acontecem e que eles são os escolhidos para transformar o Estado num modelo de governança. É uma viagem ao mesmo tempo divertida e trágica, porque eles insistem em navegar pelas águas de um mundo paralelo, desejado pelos eleitores, mas que os candidatos não estão autorizados vender sem ultrapassarem a fronteira que divide a realidade presente e a possibilidade futura. Mentir não vale.
Fácil falar em aumentar o auxílio cidadão, por exemplo. O que eles não dizem é de onde vão tirar o dinheiro para assegurar o básico necessário (como saúde, educação e segurança em níveis minimamente aceitáveis), nem como surgirão os empregos dos quais tantos amazonenses andam atrás inutilmente e que eles estão prometendo.
A âncora das promessas é a Zona Franca de Manaus, um modelo de desenvolvimento que resiste em meio a disputas judiciais e que em algum momento - que pode ser previsto mas ninguém quer ver - sucumbirá.
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O resultado é previsível: uma onda de desempregados e o Estado falido. Não estou aqui prevendo o fim do mundo, mas uma situação de crise aguda que se aproxima velozmente e todos os políticos que estão aí com mandatos e buscando renová-los, sabem. Por má fé, ficam esticando a corda, se agarrando em decisões judiciais que funcionam como fios escapelados. O final é previsível: curto circuito no modelo, desemprego em massa, paralisação das instituições do Estado que, com a arrecadação em queda e sem recursos, não poderão funcionar. Será o caos.
Mas há saídas, luz no fim do túnel. Para chegar a alcançá-la exige articulação, projetos que atraiam a iniciativa privada e canalizem para o Estado investimentos na exploração do nióbio, mineral tão cobiçado pelas empresas de alta tecnologia e que existe em grande quantidade no Amazonas.
Um especialista que consultei e que prefere o anonimato para não dizerem que está politizando a questão da zona franca, disse que o Amazonas é detentor de grandes reservas de potássio, tântalo, cassiterita, calcário, fósforo e 20 por cento da água doce disponível no planeta. Um potencial de bilhões de dólares de madeira manejada; peixes ricos em proteína . Além disso, possui gemas em potencial mundial.
Ele prevê que a humanidade vai enfrentar duas graves crises neste século: escassez de água doce e escassez de alimentos.
O Amazonas, segundo ele, precisa despertar para uma nova matriz de desenvolvimento com a exploração racional dessas riquezas.
Os políticos que estão vendendo gato por lebre, sabem que o potencial é grande, mas explorar dá trabalho, atrair investimentos dá trabalho, gerar os empregos que eles estão prometendo, dá trabalho. Ué, por que eles querem governar ou representar o Amazonas no Senado, na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa? Que o eleitor responda antes de votar.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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