A vida se esgota todo dia e é fácil perceber isso: na pele que perde a elasticidade, no esquecimento que se torna uma rotina, nos nomes que a memória não consegue guardar. Mas quando se tem amigos a gente prolonga a vida, dá sentido a ela, vence as limitações da idade, prospera, sonha, pensa em um futuro possível, além do tempo reservado a cada um de nós. E sofremos quando um deles cai no meio da jornada.
Olhar para trás é doloroso, porque as lembranças chegam fragmentadas, numa tentativa vã de reconstruirmos um tempo que existiu, foi real…
E ele estava lá. Era jovem, ambicioso, competente, sonhador. Sua função no jornal era desenhar a edição do dia seguinte. Era o preferido do editor para a primeira página.
Seu nome:Eliezer Favacho, como muitos atropelado pela chegada do computador, das edições offset, da transformação do jornal impresso. Diagramar num programa de computador foi um aprendizado. A revolução na mídia não parou aí.
Com a chegada da internet na metade dos anos 90, os jornais resistiram imbatíveis por mais 15 anos, até encolherem, com edições menores e um público reduzido. Eliezer, como tantos profissionais, foi vítima dessa mudança. Apareceram os blogs, os jornais migraram parte do conteúdo ou o todo para a Internet.
O diagramador ficou no passado, como tantas profissões atropeladas pelas novas tecnologias.
A última vez que o vi foi no Sindicato dos Jornalistas. Estava menos gordo e mais triste.
Há duas semanas foi embora. Ficaram as recordações de um tempo no qual foi um gigante na redação de a Noticia. E uma saudade.
O adeus é sempre difícil quando um amigo vai embora…
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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