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É urgente a retirada de bolsonaristas de frente do CMA

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Por Coluna do Holanda
13/12/2022 00h36 — em Coluna do Holanda

Façam oposição ao novo governo, apontem seus eventuais erros. Se necessário, encham as ruas pedindo mudanças. Mas agora o tempo é de espera, de avaliação e de resgatar valores que parecem perdidos, entre eles o respeito à democracia.

Antes de passar o bastão para seu sucessor, o Comandante Militar da Amazônia, general Achilles Furlan,  precisa antecipar a solução de um problema de certa forma alimentado pelos militares: a retirada de grupos bolsonaristas que ergueram barracas em frente ao CMA e protestam contra o resultado das eleições.

Com a posse do novo governo em 1o  de janeiro, o Exército não pode transigir com facções até agora tratadas com inexplicável cortesia.

A tolerância  se dava, argumentavam os militares,  diante do apoio manifestado a esses movimentos pelo presidente que entrega o posto no início de 2023. Mas já  é um tempo exaurido. O Exército não pode ser cúmplice de grupos que atentam contra a democracia.

O País precisa ser pacificado e o Amazonas não pode ser vitrine, como Brasília foi na noite desta segunda-feira,  de ações terroristas, com  depredações, incêndios a carros e ameaças ao direito de ir e vir de cidadãos pacíficos que retornavam do trabalho.

Há muitos culpados por esse tipo de manifestação - os militares entre eles, por serem excessivamente tolerantes e omissos. 

O general que deixa o CMA em 1o  de janeiro deve - e é o que se espera dele - tomar essa atitude, sem passar para o sucessor um problema que ele não apenas tolerou, mas consentiu, ao praticamente ignorar  uma decisão da Justiça  Federal  pela desocupação total da área em frente ao Comando.

É certo que não houve  em Manaus, até esta noite, arruaças e os manifestantes se mantiveram distantes de confrontos, mas o que eles advogam é uma volta ao passado.

Ao se postarem em frente ao CMA, pedindo intervenção militar, eles, como os próprios militares que os toleram - com  gratas exceções - não viram o tempo passar.

Ambos permanecem em uma bolha que, como um abcesso, precisa ser aberto,  drenado seu pus e o seu sangramento contido pelos ventos da democracia.

Um novo tempo começa. Façam oposição ao novo governo, apontem seus eventuais erros. Se necessário, encham as ruas pedindo mudanças. Mas agora o tempo é de espera, de avaliação e de resgatar valores que parecem perdidos, entre eles o respeito à democracia.

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Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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