Façam oposição ao novo governo, apontem seus eventuais erros. Se necessário, encham as ruas pedindo mudanças. Mas agora o tempo é de espera, de avaliação e de resgatar valores que parecem perdidos, entre eles o respeito à democracia.
Antes de passar o bastão para seu sucessor, o Comandante Militar da Amazônia, general Achilles Furlan, precisa antecipar a solução de um problema de certa forma alimentado pelos militares: a retirada de grupos bolsonaristas que ergueram barracas em frente ao CMA e protestam contra o resultado das eleições.
Com a posse do novo governo em 1o de janeiro, o Exército não pode transigir com facções até agora tratadas com inexplicável cortesia.
A tolerância se dava, argumentavam os militares, diante do apoio manifestado a esses movimentos pelo presidente que entrega o posto no início de 2023. Mas já é um tempo exaurido. O Exército não pode ser cúmplice de grupos que atentam contra a democracia.
O País precisa ser pacificado e o Amazonas não pode ser vitrine, como Brasília foi na noite desta segunda-feira, de ações terroristas, com depredações, incêndios a carros e ameaças ao direito de ir e vir de cidadãos pacíficos que retornavam do trabalho.
Há muitos culpados por esse tipo de manifestação - os militares entre eles, por serem excessivamente tolerantes e omissos.
O general que deixa o CMA em 1o de janeiro deve - e é o que se espera dele - tomar essa atitude, sem passar para o sucessor um problema que ele não apenas tolerou, mas consentiu, ao praticamente ignorar uma decisão da Justiça Federal pela desocupação total da área em frente ao Comando.
É certo que não houve em Manaus, até esta noite, arruaças e os manifestantes se mantiveram distantes de confrontos, mas o que eles advogam é uma volta ao passado.
Ao se postarem em frente ao CMA, pedindo intervenção militar, eles, como os próprios militares que os toleram - com gratas exceções - não viram o tempo passar.
Ambos permanecem em uma bolha que, como um abcesso, precisa ser aberto, drenado seu pus e o seu sangramento contido pelos ventos da democracia.
Um novo tempo começa. Façam oposição ao novo governo, apontem seus eventuais erros. Se necessário, encham as ruas pedindo mudanças. Mas agora o tempo é de espera, de avaliação e de resgatar valores que parecem perdidos, entre eles o respeito à democracia.
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Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.

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