Os candidatos ao governo do Amazonas, especialmente a oposição, precisam sair do discurso rasteiro, pessoal e inconsequente.
É preciso informar ao eleitor, com convicção, de que apoiam a mineração: potássio, petróleo, gás e a bioeconomia. É preciso dar qualidade ao debate que de fato interessa à sociedade.
Interessa saber o que pretendem fazer depois que esses investimentos chegarem: quais cadeias podem ser instaladas aqui, quais empregos serão criados, que profissionais precisarão ser formados e como municípios e comunidades participarão dos benefícios.
O Amazonas já conhece a diferença entre possuir riqueza e conseguir transformá-la em desenvolvimento.
A Zona Franca construiu uma poderosa base industrial, mas o Estado ainda enfrenta desigualdades, dificuldades logísticas, paradoxo de forte concentração econômica no município e pouco recursos para obras de infraestrutura na capital.
XXXX
Uma decisão da Justiça Federal no Amazonas chama atenção para uma discussão que deveria chegar a esses dias de intenso bombardeios de lado a lado : o que o Estado pretende fazer com a riqueza existente em seu próprio território?
O caso envolve mineração e capital estrangeiro, mas a questão é muito maior.
Potássio, petróleo, gás, minerais estratégicos e bioeconomia começam a abrir novas possibilidades econômicas, e os candidatos ao governo precisam dizer como pretendem transformá-las em desenvolvimento para quem vive aqui.
A discussão não deve ser reduzida à nacionalidade de quem investe. Capital externo pode trazer recursos, tecnologia, mercados e empregos.
O ponto decisivo é outro: quanto da riqueza produzida permanecerá no Amazonas? Quanto poderá virar formação profissional, pesquisa, fornecedores locais, infraestrutura, arrecadação e atividades capazes de agregar valor antes que a matéria-prima deixe o Estado?
As novas matrizes oferecem a possibilidade de ampliar esse horizonte, inclusive no interior, desde que façam parte de uma estratégia e não apenas de uma sucessão de projetos isolados.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



Aviso