O eleitor amazonense talvez precise fazer perguntas aos nomes que estarão disputando a cadeira de governador do Amazonas. E há perguntas simples que ajudam a separar discurso de projeto:
- Como garantir empregos, especialmente no comércio, com a proposta de reduzir a carga horária com a chamada PEC 6/1, claramente eleitoreira?
- Como regularizar terras, atrair empresas sérias e oferecer segurança jurídica para quem pretende investir dentro da lei?
- Como produzir mais sem aumentar o desmatamento?
- Como tirar a bioeconomia do papel?
- Como melhorar a ligação entre capital e interior?
- De onde virá o dinheiro para a construção de escolas, hospitais, realização de novos concursos, reajuste de funcionários e em quanto tempo os resultados poderão aparecer?
Defender a floresta sem explicar como transformar biodiversidade em renda é insuficiente.
Da mesma forma, prometer grandes obras ou expansão econômica sem explicar seus impactos, licenciamento, financiamento e viabilidade jurídica também é pouco
O Amazonas precisa de representação política capaz de compreender que seus problemas estão interligados.
Sem infraestrutura não há competitividade;
Sem segurança jurídica não há investimento duradouro;
Sem pesquisa e tecnologia a biodiversidade permanece riqueza potencial;
Sem atividade econômica capaz de chegar à população, a preservação corre o risco de ser percebida apenas como restrição.
A eleição, portanto, oferece ao eleitor uma oportunidade de olhar além do slogan, da popularidade e da disputa entre grupos políticos.
Mais importante do que perguntar quem promete defender a Amazônia talvez seja perguntar quem consegue explicar como fazer o amazonense prosperar com ela preservada.
É nessa resposta — concreta, possível e verificável — que pode estar uma das escolhas mais importantes deste voto.
Por isso, promessa ambiental ou desenvolvimentista, isoladamente, deveria valer pouco. O eleitor pode observar quem apresenta caminhos concretos para conciliar as duas coisas.
Coluna do Holanda
Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Tem formação superior em Gestão Pública. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.



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