Bastidores da Política - A Covid está levando nossos melhores amigos e ninguém coloca um freio nisso


A Covid está levando nossos melhores amigos e ninguém coloca um freio nisso

Por RAIMUNDO DE HOLANDA

05/02/2021 19h47 — em Bastidores da Política

  • Aqui em Manaus, onde a Covid chegou sem freios, aprendemos a chorar silenciosamente todos os dias...

Vivemos um pesadelo de muitas noites e um susto a cada instante. Já não podemos gritar que temos “um milhão de amigos”, porque os poucos que tínhamos estão morrendo. Aqui em Manaus, onde a Covid chegou sem freios, aprendemos a chorar  silenciosamente todos os dias, porque não tem hora que o telefone não toque para uma noticia ruim.

Nesta sexta-feira o Orleans Murilo Arnaud Araújo foi embora. Tão rápido e tão inesperado que quando a noticia chegou o coração disparou em batidas descompensadas. Essa máquina de bombear sangue ficou sensível…

Demorou  para processar essa noticia. "O Orleans, o assessor do deputado Wilker! Tem certeza?”. A confirmação apenas expôs, outra vez,  uma tragédia que parece não ter fim.  E nada podemos fazer, porque quem podia não fez ou fez tarde demais.

É uma guerra? É uma guerra, mas o inimigo só está vencendo porque não nos preparamos para ela. Como prisioneiros rendidos nos sentimos levados todos os dias a um pelotão de fuzilamento, ou como disse o senador Omar Aziz ao site 'O Antagonista', entramos num avião para cair com 200 passageiros todos os dias - que é a média diária de  mortos no Amazonas.

Com a notícia de que Orleans entrou nesse avião nesta sexta-feira, uma tristeza imensa me abraçou. E eu tive medo do futuro e do que ele reserva para todos os que amamos.

Quem punir por essas mortes?  "Ninguém, é um virus", dirão os negacionistas, os defensores do caos. Mas quando abrirem a caixa preta desses aviões com quase 9 mil vitimas até esta sexta-feira, os nomes dos culpados aparecerão.

Raimundo de Holanda é jornalista de Manaus. Passou pelo "O Jornal", "Jornal do Commercio", "A Notícia", "O Estado do Amazonas" e outros veículos de comunicação do Amazonas. Foi correspondente substituto do "Jornal do Brasil" em meados dos anos 80. Atualmente escreve a coluna Bastidores no Portal que leva seu nome.